terça-feira, 31 de março de 2009

No 1º de Abril de 64, um golpe de Estado. Hoje, um golpe na memória.

A história é construída, de acordo com as visões de quem a escreve. Não há posicionamento isento de tendências ideológicas, políticas, religiosas ou filosóficas, em relato algum.


Boa parte do que ouvimos, lemos ou vemos, é fruto de uma visão específica de mundo, de uma forma de se ver, compreender, e por fim, organizar num todo compreensível, o fato, ou fatos de determinado período período. Geralmente contada, do ponto de vista dos vencedores, ou daqueles que de uma forma ou de outra, se sobressaem, se destacam no evento.


A história do golpe civil militar de 1º de Abril de 1964, normalmente narrado como ocorrido, na madrugada do dia 31 de Março (madrugada do dia 31 de março? Se já passara da meia-noite é 1º de Abril), é um conto daqueles que viram o golpe, e a ditadura que se seguiu, como algo bom, que não poderia ser relacionado com o dia mundialmente conhecido como sendo o da mentira, ada infâmia. Uma forma de iniciar a narrativa dos "Vencedores".


Muitos aspectos do deplorável regime que fora instalado no país, nos anos que se seguiram ao golpe, são narrados dessa forma. Em especial pelos veículos de comunicação, que dele participaram.


Esses grupos, que hoje carregam a bandeira da "Liberdade de Imprensa", não se importaram em ter sua liberdade cerceada por esse regime, pelo menos não enquanto seus cofres eram "recheados" por esse.


Abaixo alguns exemplos de como esses "defensores da democracia" noticiaram o golpe de 1º de abril de 1964. A visão dos "vencedores", dos que veem a História, como algo construído por seres "selecionados", sendo o restante da humanidade, "efeito colateral":





De Norte a Sul vivas à Contra-Revolução
“Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade ... Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”
(Editorial do Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 1º de Abril de 1964)

“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade.
Ovacionados o governador do estado e chefes militares.O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade. Toda área localizada em frente à sede do governo mineiro foi totalmente tomada por enorme multidão, que ali acorreu para festejar o êxito da campanha deflagrada em Minas (...), formando uma das maiores massas humanas já vistas na cidade”
(O Estado de Minas - Belo Horizonte - 2 de abril de 1964)

Os bravos militares
“Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos”“Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”
(O Globo - Rio de Janeiro - 2 de Abril de 1964)

Carnaval nas ruas
“A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento”
(O Dia - Rio de Janeiro - 2 de Abril de 1964)

Escorraçado
“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas.Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou., o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”
(Tribuna da Imprensa - Rio de Janeiro - 2 de Abril de 1964)

“A paz alcançada
A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”
(Editorial de O Povo - Fortaleza - 3 de Abril de 1964)

“Ressurge a Democracia !
Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem.Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições”“Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada ...”
(O Globo - Rio de Janeiro - 4 de Abril de 1964)

“Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República ...O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve”
(Correio Braziliense - Brasília - 16 de Abril de 1964)

Vibrante manifestação sem precedentes na história de Santa Maria para homenagear as Forças Armadas”“Cinquenta mil pessoas na Marcha Cívica do Agradecimento”
(A Razão - Santa Maria - RS - 17 de Abril de 1964)

“Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se.Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o País, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades”.
(Editorial do Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 31 de Março de 1973)

“Sabíamos, todos que estávamos na lista negra dos apátridas - que se eles consumassem os seus planos, seríamos mortos. Sobre os democratas brasileiros não pairava a mais leve esperança, se vencidos. Uma razzia de sangue vermelha como eles, atravessaria o Brasil de ponta a ponta, liquidando os últimos soldados da democracia, os últimos paisanos da liberdade”
(O Cruzeiro Extra - 10 de Abril de 1964 - Edição Histórica da Revolução - “Saber ganhar” - David Nasser)

“Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada”.
(Jornal do Brasil, edição de 01 de abril de 1964.)

"Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada". Editorial do jornalista Roberto Marinho, publicado no jornal "
(O Globo", edição de 07 de outubro de 1984, sob o título: "Julgamento da Revolução". )

*Fotos extraídas do blog RS URGENTE. Editoriais e reportagens pró-ditadura, extraídos do excelente blog da BRHISTÓRIA.

** Homenagem àqueles que foram relegados por essa imprensa servil, que tenta reescrever nossa História, deixando para os que resistiram, apenas a posição de "efeito colateral". Aos arbitrariamente presos, expulsos, torturados e mortos pelo regime nascido do 1º de abril de 1964.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Povo nas ruas pede a saída da Governadora

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Do blog, Tomando na Cuia:

Com palavras de ordem contra o desemprego e com gritos de "Fora Yeda !", mais de cinco mil pessoas se reuniram em frente à sede do grupo Gerdau e fizeram um protesto no incío da manhã de hoje (29). Após o ato inicial, estudantes, centrais sindicais, e servidores públicos seguiram em Marcha até o Palácio Piratini. No protesto foi denunciado a falta de investimentos públicos do governo Yeda assegurados pela Constituição e as demissões dos trabalhadores. Os movimentos sociais também trouxeram uma sala de aula-contêiner que estava sobre sobre um caminhão, o que gerou revolta em quem estava na praça. Segundo o CPERS a sala-contêiner mostra o descaso do governo Yeda com a educação e com o povo gaúcho.

Nota do blogueiro: Emblemática a foto abaixo, na qual os manifestantes exibiram um contêiner que está sendo utilizado como sala de aula, no Estado que se orgulha de ter "a melhor inducassão do País".

Após ação ideológica contra as Escolas itinerantes do MST, fechadas porque "não apresentavam condições", e porque serviriam, de acordo com alguns dementes ligados ao Ministério Público Estadual, como instrumento de disseminação ideológica marxista, surge essa terrível denúncia, de que alunos da rede pública estadual, estudam em contêineres metálicos, que pelo visto apresentam "todas as condições possíveis para o desenvolvimento da atividade escolar".

É claro que no Diário-Quase-Oficial- do-Tucanato-Guasca, o jornal Zero Hora, amanhã constará a notícia de que uma manifestação atrapalhou o trânsito no centro de Porto Alegre, que apenas uns vinte petistas participaram e, mais pro meio da semana, Paulo Santana ou algum outro assecla, publica outra cartinha "particular" lamuriosa da governadora, falando em golpes, cenários dantescos e outras bobagens do gênero, pra fazer os "gaudérios irem aos prantos", comentando a absurda perseguição que sofre essa "justa".

Somente a "mídia amiga" ainda sustenta esse governo.


Vídeo e fotos por Kiko Machado.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Dantas, Eliana, Mendes, Camargos e Correas, Demos, Tucanos, Direitosos, Jornalões: Não é nada pessoal, mas fede mesmo.

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A burguesia fede

A burguesia quer ficar rica

Enquanto houver burguesia

Não vai haver poesia

A burguesia não tem charme nem é discreta

Com suas perucas de cabelos de boneca

A burguesia quer ser sócia do Country

A burguesia quer ir a New York fazer compras

Pobre de mim que vim do seio da burguesia

Sou rico mas não sou mesquinho

Eu também cheiro mal

Eu também cheiro mal

A burguesia tá acabando com a Barra

Afunda barcos cheios de crianças

E dormem tranqüilos

E dormem tranqüilos

Os guardanapos estão sempre limpos

As empregadas, uniformizadas

São caboclos querendo ser ingleses

São caboclos querendo ser ingleses

A burguesia fede

A burguesia quer ficar rica

Enquanto houver burguesia

Não vai haver poesia

A burguesia não repara na dor

Da vendedora de chicletes

A burguesia só olha pra si

A burguesia só olha pra si

A burguesia é a direita, é a guerra

A burguesia fede

A burguesia quer ficar rica

Enquanto houver burguesia

Não vai haver poesia

As pessoas vão ver que estão sendo roubadas

Vai haver uma revolução

Ao contrário da de 64

O Brasil é medroso

Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia

Vamos pra rua

Vamos pra rua

Vamos pra rua

Vamos pra rua

Pra rua, pra rua

Vamos acabar com a burguesia

Vamos dinamitar a burguesia

Vamos pôr a burguesia na cadeia

Numa fazenda de trabalhos forçados

Eu sou burguês, mas eu sou artista

Estou do lado do povo, do povo

A burguesia fede - fede, fede, fede

A burguesia quer ficar rica

Enquanto houver burguesia

Não vai haver poesia

Porcos num chiqueiro

São mais dignos que um burguês

Mas também existe o bom burguês

Que vive do seu trabalho honestamente

Mas este quer construir um país

E não abandoná-lo com uma pasta de dólares

O bom burguês é como o operário

É o médico que cobra menos pra quem não tem

E se interessa por seu povo

Em seres humanos vivendo como bichos

Tentando te enforcar na janela do carro

No sinal, no sinal

No sinal, no sinal

A burguesia fede

A burguesia quer ficar rica

Enquanto houver burguesia

Não vai haver poesia

Cazuza, A Burguesia.

Contratos do "Zé Pedágio" com a editora Abril, são questionados pelo PSOL.

Pedra cantada: Como havia comentado anteriormente, a "Parceria-Púbico-Privada" do governador de São Paulo, José-Quero-Ser-Presidente-Serra, com a editora abril cheirava muito mal.
Abaixo texto extraído do blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, dando mais força à suspeita:

Deputados do PSOL questionam no Ministério Público compra de assinaturas da revista “Nova Escola” pelo governo do Estado de SP
O deputado federal Ivan Valente, Líder da Bancada do PSOL na Câmara dos Deputados e os deputados estaduais do Carlos Giannazi e Raul Marcelo protocolaram no dia de hoje, uma Representação junto ao Ministério Público Estadual questionando o contrato firmado entre a Secretaria Estadual de Educação (SEE) e a Fundação Victor Civita – do Grupo Abril – para a distribuição da Revista Nova Escola aos professores da rede.
A Secretaria de Educação comprou 220 mil assinaturas anuais da publicação, sem nenhuma consulta aos professores. Também não realizou licitação, pois considera que esta revista é a única na área da educação, desconsiderando a existência de outras do mesmo gênero que atuam no mercado, demonstrando preferência deliberada pela editora contratada.
Não bastasse essa ação arbitrária, a Secretaria de Educação passou para esta Fundação privada os endereços pessoais dos professores, sem qualquer comunicado ou pedido de autorização dos mesmos, infringindo a lei e permitindo, inclusive, outras destinações comerciais aos dados particulares dos professores.
Ao fazer esta denúncia ao MP os deputados do PSOL expõem as relações entre o Governo Serra e a Editora Abril.
Só este contrato representa quase 25% da tiragem total da revista e garante fartos recursos para o caixa da Fundação Civita, R$ 3,7 milhões. Mas este não é o único compromisso comercial existente entre a Secretaria de Educação e o Grupo Abril, que cada vez mais ocupa espaço nas escolas tendo até mesmo publicações adotadas como material didático, totalizando quase R$ 10 milhões de recursos públicos destinados a esta instituição privada só no segundo semestre de 2008.
Outro absurdo, que merece uma ação urgente, é a “proposta” curricular que reduz o número de aulas de história, geografia e artes do Ensino Médio e obriga a inclusão de aulas baseadas em edições encalhadas do Guia do Estudante, também da Abril, que mais uma vez se favorece os negócios editoriais deste grupo.
As publicações do Grupo Abril não são as únicas existentes, mas, as que têm a preferência do governo, uma preferência que não se explica ao não ser pela prática recorrente de favorecimento. É isto que os deputados do PSOL querem investigar.

"Mas bah, me caíram os butiás do bolso".

Lembrei dessa frase, que era muito repetida por um colega de universidade, lá em Santiago, o saudoso João Medeiros, que ao ouvir, ver ou ler algo sem qualquer fundamento, totalmente sem sentido proferia a famosa frase "Mas bah, me caíram os butiás do bolso", tamanho era seu espanto.

A frase me veio a mente de imediato, quando li um post do Diário Gauche, no qual uma jornalista, e comentarista política direitosa do Diário-Quase-Oficial do Governo Yeda, Zero hora, afirmou que o discurso da Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, de enfrentar a crise, ampliando o investimento público, foi "inspirado" no da Governadora-Privatista-Tucana-Neoliberal Yeda Crussius.

Dilma estaria em "sintonia" com a defensora do Estado Mínimo, com o eufemismo de "Déficit zero", na ampliação do investimento público?

Bah, depois dessa realmente, só o que tenho a dizer é que "me caíram os butiás do bolso".

Abaixo o texto do Diário Gauche:
A política lulo-dilmista de fazer pesados investimentos públicos para evitar os efeitos deletérios da crise internacional do capitalismo segue o velho (e atual) receituário da teoria macroeconômica do professor Lord John Maynard Keynes. Isso é mais consensual do que a pele do papa Bento 16 é branca.

Mas Rosane de Oliveira, jornalista e abelhinha, não está convencida disto. Para a colunista de Zero Hora, essa política foi concebida pela ex-professora Yeda Rorato Crusius – a mesma que não tem nenhum trabalho acadêmico publicado em parte alguma. E Dilma está apenas fazendo "discurso".

Estou exagerando? Então, leiam o fac-símile parcial da coluna de hoje da vespinha, acima.

Esse pessoal já não sabe mais o que fazer para salvar a reputação da governadora Yeda.

Kiko Machado faz excelente comparação.

Do Blog "Tomando na Cuia":

Empresária ou Contrabandista?

Hoje a grande mídia descreve a prisão da contrabandista e quadrilheira Eliana Tranchesi, dona da butique Daslu na condição de empresária, assim como o seu irmão Antônio Carlos Piva de Albuquerque, ex-diretor "da loja" da "famiglia". Ambos foram condenados pela Justiça Federal a puxar 94 anos de prisão, ontem em São Paulo. Segundo apurou o MPF o esquemão abastecia a high society paulistana e algumas lojinhas guapas, onde senhoras empiriquitadas dos pampas desfilavam a última moda Daslu no "countriii". Engraçado ! Quando prendem os mochileiros que se arriscam a perder tudo que tem na ida ou na volta ao Paraguai para ao trazer seus "produtos", a grande mídia os representa com o título de piratas, contrabandistas, contraventores,etc. Mas como a turma é do andar de cima, a senhora Daslu ainda leva o título de "empresária". Entendo que a Associação dos Empresários do Estado de São Paulo ou a FIESP (ahahah) deveria fazer uma mobilização nacional para que a denominação "empresário(a)" não seja utilizada pela mídia quando gente graúda é presa. Usem somente contrabandista, como são tratados os mochileiros.

Nota do blogueiro: Uma boa definição do que vemos, lemos e ouvimos da mídia oligárquica brasileira. Quando o preso veio de algum morro, favela ou bairro periférico, nenhum repórter ou apresentador de "Jornalão" tem o menor pudor de taxar de ladrão, traficante, contrabandista, bandido... Agora quando o detido apresenta uma ou mais das seguintes características: tem boas cifras, muitos zeros no extrato bancário, contribui com os partidos "certos", tem anúncios polpudos nessa "imprensa livre", recebem diferentes qualificações, tem o mesmo "status" que detinham antes da prisão (empresários, deputados, banqueiros, senadores, governadores, fazendeiros), nunca recebem adjetivos pejorativos.
Um exemplo claro disso foi exposto acima, outro pode ser visto, lido e ouvido todos os dias na "imprensa livre" (para lucrar): Daniel Dantas continua sendo chamado de banqueiro, empresário, e até mesmo de "homem brilhante", como foi definido pelo "Farol de Alexandria", em recente entrevista.
É essencial fazer frente a esses estereótipos midiáticos, especialmente agora que o judiciário brasileiro começa, finalmente a perceber, que os "grandes também roubam", e como roubam.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Se ainda há dúvidas sobre o caráter do Governo Yeda...

Depoimento do Deputado Federal Paulo Maluf, do PP, sobre o caráter da Governadora Yeda:


Do RS URGENTE:

“Vou ser muito claro: confio 100% na honestidade da governadora Yeda. Eu também fui governador e sei que quem chega a ser governador ou presidente está escrevendo a sua biografia. Ninguém chega num cargo desses pretendendo fazer irregularidades. Se as pessoas não têm defeito quando chegam num cargo público, a oposição inventa. Eu acredito na honestidade da governadora, foi uma boa ministra do Planejamento no governo do Itamar, e tenho certeza de que ela tem uma história de luta. A mulher gaúcha é muito valorosa, e acho que ela vai vencer com uma administração correta, competente como está fazendo, sem as acusações mentirosas que a oposição faz a ela”.



Com um defensor como esse, quem precisa de oposição?

quarta-feira, 25 de março de 2009

Estudantes nas ruas pedem a saída da Governadora do Rio Grande do Sul.

Do RS URGENTE

Centenas de estudantes de escolas públicas e universidades de Porto Alegre devem reunir-se nesta quinta, 26, dia do aniversário de Porto Alegre, às 10h, na Praça Argentina. Os estudantes, que fazem parte do movimento intitulado “A volta dos Caras-Pintadas – Ella não pode continuar” vão exigir a saída de Yeda Crusius do governo do Estado. Conforme Rodolfo Mohr, um dos líderes do movimento e integrante do DCE da UFGRS, é necessário que os estudantes apresentem uma solução para a crise política do Estado.

“Na nossa opinião, a solução é a saída da governadora”, afirmou. Para Juliano Medeiros, representante da UNE, além de exigir a saída da Yeda, o ato tem o objetivo de “denunciar a governadora e pedir apuração das denúncias de corrupção”. A expectativa dos organizadores é reunir cerca de mil manifestantes.

O movimento deve sair da praça em caminhada até o Palácio Piratini. Os estudantes pretendem entregar aos líderes do governo a “Carta à Sociedade Gaúcha”, assinada por mais de 20 entidades estudantis de todo o Estado, em que denunciam a política de desmonte da educação no Estado e o envolvimento do governo em casos de corrupção, pedindo o “Fora Yeda”. A carta havia sido apresentada ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Ivar Pavan, no dia 5 de março, quando foi lançado o movimento dos Caras-Pintadas.

O ato que acontece amanhã em Porto Alegre foi precedido por duas manifestações do movimento no Estado. Em Pelotas, cerca de mil estudantes e ativistas de movimentos sociais fizeram caminhada pelas principais ruas da cidade na manhã desta quarta. O ato encerrou em frente à 5ª Coordenadoria Regional de Educação, onde os manifestantes entregaram aos representantes do governo a carta à sociedade gaúcha. Para a tarde de hoje está prevista também manifestação em Santa Maria.

Estudantes tiveram audiência com OAB

Na manhã desta quinta uma comitiva formada por quatro integrantes do movimento dos Caras-pintadas do RS foi recebida na sede da OAB pelo coordenador da Comissão de Direitos Humanos da Ordem, Ricardo Breier.

Os estudantes pediram a Breier que a OAB acompanhe a manifestação desta quinta e seus possíveis desdobramentos, para garantir a liberdade democrática e a integridade física dos participantes . “O movimento está sentindo na pele a repressão da Brigada, que não é mais exceção. A repressão tem sido uma constante: assim foi no ato dos estudantes contra o aumento das passagens, na greve dos bancários e nas manifestações do CPERS. O que a gente está vendo é a escassez das garantias democráticas no Estado”, afirmou Mohr durante a reunião.

Para Breier, o tema é inédito na Ordem. “A OAB atua quando é provocada, até agora não fizemos nenhuma ação preventiva, é um fato novo”. Ele afirmou que vai levar o tema para reunião interna da Comissão de Direitos Humanos, e garantiu que a Ordem estará atenta à mobilização. Participaram da reunião Rodolfo Mohr e Adrian Dallegrave, estudantes da UFRGS, Juliano Medeiros, diretor da UNE e Rafael Lemes, representando a Federação Nacional dos Estudantes de Direito, FENED.

Também ocorreu um ato "Fora Yeda" em Santa Maria nesta quarta-feira. O jornalista Fritz Nunes relata:

Cerca de 150 pessoas, em sua maioria estudantes e professores, participaram do ato de lançamento do Fórum Popular da Educação Pública Gaúcha, na praça Saldanha Marinho, centro de Santa Maria, no final da tarde desta quarta, 25. A atividade acabou se tornando um protesto contra o governo estadual. Dezenas de faixas e cartazes registraram em letras grandes o “Fora Yeda”. Pelo menos 15 entidades estavam representadas no protesto, conforme os organizadores. Entre essas, o 2º Núcleo do Centro dos Professores (CPERS), o DCE, a CUT, a Conlutas, o Movimento Nacional de Luta Pela Moradia e partidos de esquerda. Até os estudantes “cara-pintadas” reapareceram durante a manifestação no centro da cidade.

terça-feira, 24 de março de 2009

"Mas em que mundo vivemos! Qualquer um pode denunciar uma autoridade"

Yeda evidencia o caráter autoritário de seu Governo.

É surreal!!!! A governadora do Rio Grande do Sul, gostaria de ser ditadora, inconteste, sacrossanta, como os generais (as "otoridade")do pós 64.
O "Diário Quase Oficial do Goveno Tucano" (e de qualquer conchavo direitoso), mais conhecido por Zero Hora, publicou na sua página oito, uma declaração no mínimo "deslocada de seu eixo temporal", da governadora Yeda Crussius. Ela afirma que "que qualquer um pode chamar a imprensa e dizer que tem uma denúncia grave contra uma autoridade", obviamente deve ter sonhado que vivia no nostálgico período conhecido como "os anos de chumbo", onde "otoridades" não podiam ser contestadas, e acordou, escandalizada, em meio ao pesadelo que criou no Estado.

“Determinei a abertura de uma sindicância. É surreal, a gente ter de explicar uma fita conseguida de forma ilegal". Obviamente não é surreal, seus "homens de confiança", sendo os autore dessas gravações ilegais, nem seus atos documentados (tráfico de influência, uso da estrutura do Estado em benefício próprio, chantagens, "Detrans", "solidários", mansões...).


Surreal é esse governo, surreal é essa mandatária. Surreal é essa "otoridade".

segunda-feira, 23 de março de 2009

É assim que se governa!

Charge do Kayser

Governo Yeda afunda na própria sujeira

Não foi o PT, não foi a oposição, até agora, os maiores "ataques" que o Governo tucano dos pampas sofreu, partiram de seus próprios aliados. Vítima do fogo amigo, esse governo agoniza, sangra aos poucos, ainda sustentado pela mídia amiga.
Mas aos poucos até esse "ombro amigo" se afasta, a medida que o mau cheiro aumenta.

O diário tucano da Rede Globo, o Jornal Nacional, acaba de noticiar, de forma ainda branda, tomando cuidado em ressaltar os termos "suspeita" e outros termos suavizantes, as maracutais tucanas, envolvendo sistemas de vigilância da Secretaria de Segurança, seu chefe de gabinete Ricardo Lied e o vereador tucano Marcio Klaus.

Em conversa telefônica, exposta pelo ex-ouvidor da Secretaria de Segurança, defenestrado de seu cargo pela própria governadora, são claros os indícios de uso da máquina pública para fins pessoais, grampos ilegais, tráfico de influência e até mesmo chantagem.

Trechos de uma das conversas, entregues pelo ex-ouvidor, Adão Paiani, foram divulgados no Blog RS URGENTE, os quais transcrevo abaixo:

Marcio Klaus: Ô Ricardo, aquela questão tu ficou devendo, aquele negócio lá do PT...

Ricardo Lied: O que?

Marcio Klaus: O negócio do DAER e a ficha do Luis Fernando...

Ricardo Lied: Não tem nada o Luis Fernando. Não tem nada na ficha dele; nada, nada, nada; eu tenho comigo, não tem nada; ele só tem uma perda de documento. Nunca teve nada na ficha.

Marcio Klaus: E o negócio do DAER?

Ricardo Lied: O negócio do DAER eu não passei porque quem mais fez investimento foi o PT. O PT pagou 6 milhões, a Yeda tá pagando 400 mil e ainda tem que pagar 1,6 milhões atrasados. Quem mais teve investimento foi o PT. É melhor não distribuir o documento. É gol contra.

Será que Yeda vai sustentar a tese de que é alvo de uma "conspiração golpista"? E quem quer derrubá-la? O PSDB? Seus aliados do PMDB? Os "Fantasmas do Piratini"? Guinomos?

Está na hora de mandar outra cartinha melosa, em "particular", para ser publicada pelo Paulo Santana, porque a coisa tá feia pros lados da Praça da Matriz.

sábado, 21 de março de 2009

Crime de guerra da maior magnitude


O relator especial de direitos humanos da ONU em territórios palestinos, Richard Falk, afirmou que a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza 'poderia constituir crime de guerra da maior magnitude sob a lei internacional'. Falk qualificou a ação de Israel como 'desumana'. Segundo o relatório, as forças israelenses mataram mais de 1.300 palestinos, inclusive mulheres e crianças, enquanto, do lado israelense, 13 pessoas morreram.

Na quinta-feira, o Exército de Israel anunciou investigação sobre graves confissões feitas por soldados que participaram da ofensiva contra a Faixa de Gaza, em janeiro. Nos relatos, oficiais admitiram execuções e abusos contra civis palestinos.O relator sustentou ainda que o bloqueio imposto em Gaza não era justificável legalmente e poderia representar 'crime contra a paz', princípio estabelecido no julgamento de criminosos nazistas em Nuremberg. O governo israelense questionou a legitimidade do relatório e disse que Falk é 'notoriamente contra Israel'.

Nota do blogueiro: O texto acima foi extraído do jornal Correio do Povo, edição desse domingo. (link disponível para assinantes)
O massacre de Gaza, finalmente ganha formas oficiais de crimes contra a humanidade, por parte de órgão oficial. O incrível comentário do governo israelense, atacando a credibilidade d equem assim o classifica por ser "Anti-Israel", mostra como age esse Estado: Comentários são legítimos, desde que partidos de apoiadores de Israel e sua política belicista e assassina. Quem for contrário, não pode opinar. Se opina, não tem valor algum.
Extremamente democrático.


sexta-feira, 20 de março de 2009

Censurado por Gilmar Mendes

Carta aberta aos jornalistas do Brasil, de Leandro Fortes

No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado “Comitê de Imprensa”, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha. Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do “Comitê de Imprensa”, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa

Nesta carta, contudo, falo somente por mim.

Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalista, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.

Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?

Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.

Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.

Leandro Fortes

Jornalista

Nota do blogueiro; Seguem abaixo, os links para o programa, que foi democraticamente cesurado por Gilmar Mendes:

Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=TCFP6qnjl94

Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=DeqYLvIMMd0&feature=related

Parte 3
http://www.youtube.com/watch?v=TCFP6qnjl94&feature=related

Stédile "Gilmar Mendes não explica porque sua ONG recebe dinheiro público".

Trecho da entrevista de João Pedro Stédile à revista Época, extraído do blog RS URGENTE:
"Achamos engraçado como eles se preocupam com ONGs que atuam na reforma ágraria. Essa é a questão. Na verdade, o senhor (Gilmar) Mendes está defendendo seus interesses como latifundiário e os interesses da sua classe. Não quer reforma agrária, nem quer ver a terra dividida. Muito menos lá no Mato Grosso, onde proibiu até pescaria em sua fazenda. Ele faz pose de moralista e não explica por que sua ONG recebe dinheiro público. Por quê? Por que não investiga o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, entidade mantida por proprietários rurais), administrado pelos fazendeiros, que recebeu R$ 1 bilhão de verba pública?"

"Há processos no Tribunal de Contas da União de dinheiro do Senar apropriado para enriquecimento pessoal de fazendeiros. Por que não pede investigação da ONG Alfabetização Solidária (ONG voltada para projetos de alfabetização, iniciada pela antropóloga Ruth Cardoso em 1997), que recebeu R$ 330 milhões para fazer alfabetização de adultos? Quantos parlamentares respondem por processos de improbidade? Mais uma pergunta: algum militante do MST ficou rico com dinheiro público? A Policia Federal sabe muito bem quem desvia dinheiro público no Brasil".

Nota do blogueiro: Na verdade uma simples pergunta: Porque Gilmar Mendes quer controlar a Polícia Federal?

quinta-feira, 19 de março de 2009

Derrota histórica do latifúndio: Reserva indígena Raposa Serra do Sol, será contínua

*O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou, nesta tarde, o julgamento sobre a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Por dez votos a um, os ministros decidiram pela legalidade da demarcação de forma contínua e determinaram o cumprimento imediato da decisão para a retirada de não-índios da reserva, cassando a liminar que suspendia a operação.
A maioria dos ministros acompanhou o voto do ministro Carlos Alberto Menezes Direito, que apresentou 18 ressalvas para manter a demarcação contínua da reserva. No final do julgamento de hoje, foi incluída a condição de que os entes federativos (União, Estado e municípios) devem participar do processo demarcatório.
O Plenário também acatou a proposta do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, para que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) coordene o processo de retirada dos produtores de arroz e agricultores brancos da terra indígena. O presidente do TRF-1 deverá se reportar ao relator do caso no Supremo, ministro Carlos Ayres Britto. O relator deverá definir o prazo para iniciar o processo de desintrusão.
"O Supremo decidiu que a execução de seu julgado seria imediata. Nós cassamos a liminar que impedia a retirada dos não-índios (da reserva). Essa decisão não precisa de publicação do acórdão. Mas, essa imediatidade vai passar por uma operacionalização, o que demanda um contato meu com o presidente do TRF e com o ministro (da Justiça), Tarso Genro", afirmou Britto após o julgamento. O relator afirmou que deve definir amanhã um prazo para a retirada de todos os não-índios das terras.
*Do site "Terra"
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Notas: Arrozeiros, agora, estão pleiteando indenizações junto ao Governo federal, pelas "benfeitorias", feitas em terras públicas, em sua maioria, invadidas e ocupadas irregularmente por décadas.
Seria algo parecido com isso (em maior escala é claro):
- Eu decido invadir um parque, uma área de preservação ambiental. Construo nela uma casa, garagem, cercas, muros, faço uma horta e vivo confortavelmente ali por décadas. O poder público finalmente percebe que tomei posse de algo que não poderia e ordena a minha saída.
Furioso com tal ato "que atenta contra o direito à propriedade", peço indenização pelas obras ali realizadas.
Invadi por iniciativa própria, construí sabendo que não era legal, agora quero indenização.
Pode?
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Assisti a duas matérias sobre a decisão do STF, em duas emissoras de TV diferentes, na Globo e na TV Cultura.
As duas matérias tinham o mesmo teor, entrevistaram os dois lados (invasores e indígenas), mas me chamou a atenção o fecho dessas.
No Jornalão Nacional, a reportagem acabou, com uma entrevista rápida, curtíssima, de uma indígena, que temia pelo desemprego do marido, com a saída dos arrozeiros. Ou seja, diante de um quadro histórico, uma bela vitória desse povo, foi destaque uma pseudo-perda econômica de um dos poucos assalariados, cujo trabalho, quase sempre em condições servis, é cada vez mais raro, na agricultura empresarial.
Pela TV Cultura, chamou a atenção, também o fecho da reportagem, na qual a repórter entrevistava um índio, que falava em recuperar o extenso dano ambiental, causado pelos intrépidos "empregadores", defendidos pela Globo.
Nada como despejar dinheiro em uma emissora privada.

Crime hediondo

Texto extraído integralmente do blog RS URGENTE:

Saiu na Zero Hora.Com: Um homem de 20 anos foi preso ontem por furtar carne, sal e farofa no supermercado Carrefour da avenida Plínio Brasil Milano, em Porto Alegre. Ele pretendia fazer um churrasco, mas foi flagrado por um segurança do Carrefour que acionou a Brigada Militar. Resultado: o homem foi preso em flagrante, levado para a 3ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento e de lá para o Presídio Central. Um quilo de sal grosso, um pacote de farofa, três bandejas de picanha, um pacote de lombo de porco e dois pacotes de lingüiça: esse foi o objeto do furto que levou o homem para o presídio.
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Nota do blogueiro: Marco Aurélio Weissheimer, o autor do texto acima, esqueceu, ou não tomou conhecimento do restante da história, que vou contar aqui, em primeira mão:
O cidadão não pode "cutir" muito da sua estadia no presídio central, após ser preso por tão abominável crime. O Supremo Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Dantas Mendes, entrou com um pedido de Hábeas-Corpus, baseado na superexposição pública do preso e nos métodos abusivos empregados pela polícia em sua prisão.
A ação de Mendes foi rápida, e em poucas horas, esse nefasto criminoso estava nas ruas novamente, mesmo após a divulgação de um vídeo, que mostrava o flagrante de uma tentativa de suborno à um policial (ele ofereceu um pedaço de linguiça e a farofa pela sua libertação).
Em seguida, um Juíz ordena que o "meliante", seja preso mais uma vez, mas o Supremo Presidente, consegue libertá-lo com mais um Hábeas Corpus.
Desculpem-me, me enganei. Acho que misturei as histórias, se não me engano não foi um pequeno salteador que foi libertado pelo Supremo Presidente, mas sim alguém que roubou algo, um pouquinho mais relevante, do que alguns itens para um churrasco de fim de semana.
Mas é só uma questão de tempo, até que o terrível bandido do Carrefour, contrate uma boa equipe de advogados, que vão "levando a coisa", até ela chegar ao Supremo, onde ele sabe que "terá facilidades".
Pelo que me disseram, é assim que funciona: igualdade de direitos, todos somos iguais perante a lei. Mendes vai fazer algo, tenho certeza disso.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Para que servem mesmo as agências classificadoras de risco?

Texto extraído do site da agência Carta Maior:

A companhia de seguros AIG recebeu a nota “AA” e o banco Lehman Brothers recebeu “A” (notas que apontam baixíssimo risco e alto grau de confiabilidade para investimentos), um mês antes de seu colapso. A partir deste exemplo, articulistas do The New York Times recomendam que investidores rompam com a dependência aos conselhos dessas agências na hora de definir investimentos. "Em vez de dependerem de letras arbitrárias, os investidores deveriam considerar toda a informação disponível sobre um investimento, incluindo aí os preços do mercado".

Em um artigo publicado dia 17 de março no The New York Times, articulistas do jornal questionam se os investidores e reguladores do mercado devem seguir ouvindo os conselhos das agências classificadoras de risco ou “provedoras de informação financeira”. O texto intitulado “Com um F de Fracasso”, assinado por Jerome S. Fons e Frank Partnoy, analisa o desempenho de empresas como Standard & Poor’s e Moody’s durante a crise econômica.

Os autores – que já fizeram parte das equipes técnicas dessas agências – perguntam por que, depois de mais de um ano de crise e diante da ausência de qualquer alarme sobre sua eclosão, os reguladores e investidores continuam dependendo das “provedoras de informação financeira”. Uma “classificadora de risco” é uma empresa que avaliar o quão seguro é investir dinheiro em um país ou em alguma corporação.

Os articulistas citam o exemplo da empresa de seguros AIG que recebeu a nota “AA” e do banco Lehman Brothers que recebeu “A” (notas que apontam baixíssimo risco e alto grau de confiabilidade para investimentos), um mês antes de seu colapso. E atribuem esse erro a problemas decorrentes de “má regulação”.

“Muitas regulações financeiras e empréstimos a empresas e economias nacionais dependem dessas qualificações, de onde uma nota A pode destravar um mercado e um C torná-lo um deserto sem créditos”, escreveram. Fons e Partnoy acrescentaram: “A maior parte do pânico na AIG surgiu de qualificações automáticas nas operações de troca de dívida por ações, nas quais pagamentos de bilhões de dólares estadunidenses dependiam de como Moody’s e Standard & Poor’s classificavam o risco de crédito da AIG”.

Eles explicaram que “neste contexto, reduzir uma categoria da AIG teria significado um aumento de US$ 8 bilhões em seu passivo. E se as agências Standard & Poor’s e Moody’s vivem dos milhões que cobram de empresas como AIG para avaliar suas ações, poderiam agir para quebrá-las economicamente?”, perguntaram.

A partir dessa conclusão, os articulistas recomendaram terminar com a dependência gerada pelas agências classificadoras, tanto para as regulações sobre crédito quanto para os investimentos privados. “Os mercados financeiros podem funcionar sem estas agências”, defenderam. Em vez de dependerem de letras arbitrárias, acrescentaram, os investidores deveriam considerar toda a informação disponível sobre um investimento, incluindo aí os preços do mercado. Por fim, recomendaram aos investidores o uso de uma ferramenta esquecida, mas de nenhum modo obsoleta”: “Essa ferramenta se chama juízo”, concluíram.

Tradução: Katarina Peixoto

terça-feira, 17 de março de 2009

Lula e Obama

Do blog "O Biscoito Fino e a Massa":



Oferece-se esta foto à pobre direita brasileira, que tanto falou acerca da política externa “anti-americana” de Lula, Celso Amorim e barbudos do Itamaraty:

Nesse intercâmbio de olhares e sorrisos entre um Obama que não fala português e um Lula que não fala inglês, comunicam-se muito mais Brasil e EUA, trocam muito mais profundamente esses dois países tão comparáveis e tão diferentes do que jamais foi capaz FHC e seu inglês de Yázige, seja com Clinton, seja, pior ainda, com Bush.

Foi sobretudo colonizada a política externa que impuseram FHC, Lafer e cia durante o tucanato. Se não chegou aos excessos das “relações carnais” de Menem, ela sem dúvida colocava o Brasil como um CSA, no máximo um Vitória-BA ou Goiás, quando nós sabemos que o Brasil é um Grêmio ou Corinthians. Satélite dos EUA, sem tomar iniciativas Sul-Sul, o Brasil do tucanato ainda nos brindava aquele patético espetáculo: nosso presidente falando, com muitas limitações, a língua forânea de um chefe de estado estrangeiro em território nacional, sempre que o visitante era anglo-, franco- ou hispanofalante. Eu morria de vergonha daquilo triplamente: como cidadão brasileiro, como sujeito político e como professor de línguas.

A limitação colonizada da nossa direita falou em “problemas” para a política externa brasileira por Lula não saber idiomas. Como se o papel de um presidente fosse ser poliglota, e não ser presidente e representar a experiência de um povo. Como se o Brasil não tivesse uma das Chancelarias mais equipadas linguisticamente do planeta. Como se um chefe de estado russo, chinês ou sul-africano aceitasse falar outra língua que não a sua para conduzir negócio de estado.

E eis que um milênio que começou com o diálogo impossível – FHC que desprezava Bush e este que desprezava FHC – reserva, oito anos depois, para o chefe de estado brasileiro, o maior líder operário de sua história, a condição de primeiro líder de país emergente recebido na Casa Branca do primeiro presidente americano negro; na verdade, o primeiro líder a ser recebido mesmo, com visível empatia. Até mesmo segundo blogs conservadores, Lula deu o tom.

A direita brasileira tem todos os motivos para estar morta de raiva: depois de torcer contra Lula, depois de torcer contra Obama, depois de seis anos e meio de uma política externa brasileira independente, acusada por ela de ser “anti-americana”, esse encontro epocal se produz. Depois de tentar associar Lula ao chavismo (ou, mais delirante ainda, sugerir que ele é "manipulado" pelo caudilho venezuelano), ela vê os Estados Unidos da América e a República Bolivariana da Venezuela autorizarem-no a mediar possíveis gestos de reaproximação.

Como sempre, os portais da grande imprensa brasileira preferiram destacar o que o “não se conseguiu” na conversa, como se uma primeira visita fosse para “conseguir” algo. Rodada de Doha, redução das tarifas ao biocombustível brasileiro, tudo isso avançará ou não conforme a lógica que tiverem as negociações. Mas o encontro entre Lula e Obama é prova de que o Fórum Social Mundial tem razão: outro mundo é possível.


segunda-feira, 16 de março de 2009

Enquanto isso, na Província de São Pedro:

Charge do Bier

A zona ainda corre solta no meio financeiro. Recursos públicos viram bônus aos "quebradores" de seguradora estadunidense.


Um bilhão e duzentos milhões de dólares serão distribuídos entre os membros da equipe financeira da seguradora estadunidense A.I.G. A empresa, recentemente, foi alvo de dois "pacotes de ajuda", eufemismo para apropriação de recursos públicos, do governo dos Estados Unidos. Foram 100 bilhões doados pelo governo Bush, e 30 bilhões pelo governo Obama.

Esse "team" que está sendo recompensado, é o mesmo que pôs a maior seguradora do mundo, na bancarrota.

O "gado" (pagadores de impostos) estadunidenses assistem pacificamente a transformação dos recursos que transferiram aos cofres públicos, sendo utilizado em programas de recompensa, da empresa.

Onde ficam os critérios para a distribuição de benesses públicas a empresas que chegam a situação falimentar, por incompetência de seus administradores, ávidos por "lucro fácil", adestrados as leis da putaria financeira internacinal, que hoje, lança o mundo na maior crise econômica da História?

O comentário a seguir, foi extraído do blog, que tem o sugestivo nome de "Abunda Canalha", bem como a fotomontagem que ilustra esse post:

"O capitalismo é divertidíssimo para as grandes corporações. Se você for um grande executivo, faça qualquer coisa, leve a empresa à lona, mesmo assim vai ser premiado. Fique tranqüilo que vão tirar o dinheiro de algum mané para te salvar. Tal como a Miriam Leitão sempre defendeu. Estado é para salvar os ricos. Os pobres pagam a conta."

Diário Gauche: A má-fé de um jornal que advoga a causa de um bandido.

O objetivo é aliviar o lado criminoso de Daniel Dantas

Está em curso no Brasil uma campanha maciça e forte contra o delegado Protógenes Queiroz. O objetivo é aliviar o lado do bandido banqueiro Daniel Dantas, fazendo-o passar por vítima de um “endoidecido” (segundo a expressão do ex-presidente FHC), ou seja, de um endemoniado, um possesso, alguém que deveria arder no fogo do inferno, para todo o sempre.

É assim mesmo, quando a razão sai por uma porta, entra pela janela o Sobrenatural de Almeida – como diria Nelson Rodrigues. Se pela razão e pelo Direito não se pode salvar a pele de Dantas, pela desqualificação e a desconstituição pública através do apelo a imagens terríveis e supranaturais talvez se possa pelo menos anular o seu denunciador mais destemido.

O jornal Zero Hora, mostrando a má-fé de uma manchete (acima), se filia aos partidários de Torquemada e associados do bandido-banqueiro. O plural do vocábulo “fazenda” passa a idéia de que Protógenes é mesmo um incendiário enlouquecido, quando o próprio corpo do texto, informa que não, que o correto delegado está incentivando a ocupação de terras do mais novo latifundiário brasileiro, o indizível Daniel Dantas, e apenas deste.

Aliás, os crimes que imputam a Protógenes – investigação ilegal, escutas não-autorizadas, arapongagem criminosa, etc. – são os mesmos que o ex-ouvidor da Secretaria de Segurança da governadora Yeda denuncia como prática corriqueira no setor público estadual. Ainda não escutei nenhuma vestal da direita guasca condenar os excessos cometidos pela arapongagem de bombachas.

Acaso estarei eu, ficando surdo? Ou os que guardam o fogo sagrado da moral e da ética maragata estão - por ora - de férias?

sábado, 14 de março de 2009

Justiça decide: xixi só quando o patrão deixar.

O incrível texto abaixo, foi extraído do blog do Sakamoto, e reproduz uma tremenda sacanagem com uma classe de trabalhadores:

Por Leonardo Sakamoto.
Um rapaz que trabalhava em uma empresa de call center em Goiânia pediu danos morais na Justiça do Trabalho por ter que solicitar autorização para o chefe toda vez que queria ir ao banheiro. Segundo ele, quando havia uma demanda grande de ligações, os trabalhadores eram impedidos de ir ao toalete sem uma justificativa.

O caso chegou até o Tribunal Superior do Trabalho (TST). A 7a turma da corte decidiu esta semana que – no caso das operadoras de telemarketing - um chefe que limita a ida de um empregado ao banheiro solicitando explicações não comete dano moral contra a imagem ou intimidade da pessoa.

Ou seja, alguém ter que se sujeitar a dizer “Chefe, vou ter que ir ao banheiro para fazer cocô por conta de uma feijuca que comi ontem e não me caiu bem. E olha… talvez não será a única vez” está dentro dos padrões de normalidade.

Ao avaliarem que não era caso para dano moral, os ministros confirmaram a decisão de instâncias anteriores. O ministro Guilherme Caputo Bastos ressaltou a necessidade do controle do uso do toalete. Segundo ele, do contrário, haveria desorganização no local de trabalho. Ah, sim! Afinal de contas, todos sabemos que o banheiro é o point social das empresas.

Qual dos operadores apertados atende melhor: o que está prestar a fazer um “número 1” ou o que está no limite de um “numero 2”? É claro que há situações em que ocorrem abusos por parte de empregados que querem simplesmente trabalhar menos que o combinado em contrato. Mas me pergunto se não existem outras formas de coibir isso do que coagir alguém a ter que dar a razão por estar indo ao banheiro.

A cereja do bolo foi a declaração do ministro Ives Gandra Martins Filho, relator do caso: “Pelo tipo de trabalho há uma necessidade de rapidez no atendimento, hoje há uma multa para a empresa que demora mais de 30 segundos para atender, então é necessário que haja um controle”.

Ou seja, como a empresa é pressionada por lei a atender o público com um mínimo de qualidade, o trabalhador deve arregaçar a camisa (e manter a calça ou saia no lugar) para tornar isso possível. Contratar mais gente, nem pensar.

Nota do blogueiro:
Sacos de urina utilizado pelos servos da Quest
Apresento a solução perfeita aos Calls Centers, às linhas de produção automatizadas, e a todas as empresas que dependem da agilidade e disposição total de seus poucos trabalhadores, para potencializar seu já "potente" lucro, sem gastar dinheiro à toa com mais servos:

Ponham um "urinol", "penico", ou "comadre" como se diz no pampa, ao lado do local de trabalho de cada empregado. Na hora que a coisa apertar, ele "arria" por ali mesmo. Claro, um empregado terá de ficar o dia todo recolhendo a merda dos demais, mas o motivo é nobre, seu patrão ficará ainda mais rico.

Antes que eu esqueça, a idéia não é original, foi copiada de uma empresa de comunicação dos Estados Unidos, chamada Qwest que obrigou seus trabalhadores a utilizar sacos de urina enquanto estivessem trabalhando. A idéia veio mais para o sul e na Colômbia, empresas que beneficiam flores, puseram saquinhos, pendurados nas máquinas, onde os funcionarios podem se "aliviar" sem deixar o posto de trabalho. Tomara que, ao reproduzir a idéia estadunidense eu não tenha de pagar pelos direitos autorais.

Não é uma prática nova. Muitas fábricas, especialmente no interior, onde os "poderes" são mais omissos, os sindicatos (pelêgos) amaciados pelo poder local, e a fiscalização leva anos para descobrir que a cidade existe.

E assim nossas elites continuam recebendo subsídios governamentais para não fechar as portas, demitem boa parte dos seus quadros, e os demais, são submetidos a todo o tipo de privação, até mesmo a esses absurdos, para manter a produção, e é claro, os lucros. E todo o sistema corrobora com essas sacanagens.

Rio Grande do Sul:Sucessão de escândalos no governo do Estado.

Quem pensava que a corrupção do Governo Yeda seria "freada" depois das Operações Rodin e Solidária, da PF, da CPI do Detran e das denúncias do PSOL, agora temos o caso abaixo, extraído do Blog RS URGENTE, com mais um caso, dessa vez de "arapongagem", tráfico de influência, chantagem, de um "ajuntamento de anti-petistas" (o governo), que finalmente está mostrando à que veio.

Detalhe interessante: A "Adoçada" que o Diário-Quase-Oficial (Zero Hora) deu no caso:

Chefe de gabinete de Yeda foi grampado fazendo tráfico de influência.

Matéria de Gracialiano Rocha, correspondente da Folha de São Paulo, em Porto Alegre, diz que um dos nomes envolvidos na arapongagem tucana é o do chefe de gabinete da governadora Yeda Crusius, Ricardo Luís Lied:

Sem revelar detalhes do dossiê nem os nomes das pessoas grampeadas ilegalmente, Paiani -que é filiado ao PSDB- disse que "um assessor muito próximo da governadora" aparece nas ligações cometendo tráfico de influência e crime eleitoral. O CD, de acordo com Paiani, contém as gravações clandestinas de seis telefonemas feitos na reta final da eleição do ano passado, entre o final de setembro e o começo de outubro.

A Folha apurou que o assessor grampeado ilegalmente é o chefe de gabinete da governadora, Ricardo Luís Lied. Os telefonemas grampeados foram trocados entre Lied e seu primo, o ex-presidente da Câmara Municipal de Lajeado (RS) Márcio Klaus (PSDB), que foi preso antes da eleição sob acusação de compra de votos. Numa conversa, o chefe de gabinete de Yeda discute com o vereador, após a eleição, a substituição do delegado regional da Polícia Civil e do comandante da Brigada Militar na cidade, em suposta retaliação pela prisão. A troca não se concretizou. "Houve tráfico de influência claro, explícito e muito cristalino", disse Paiani, sem relevar os nomes dos grampeados.

Leandro Fontoura, em Zero Hora, traz a mesma informação:

"Com cerca de 30 minutos, as gravações revelariam diálogos de Lied com o primo Márcio Klaus (PSDB), ex-presidente da Câmara de Lajeado, em setembro. Ambos estariam conversando sobre a transferência do Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Vale do Taquari, tenente-coronel Antônio Scussel. Ele foi mantido no cargo por uma decisão judicial. Klaus foi detido pela Brigada Militar durante a campanha eleitoral, quando buscava a reeleição. Segundo Paiani, o assessor grampeado teria sido vítima de um crime de escuta ilícita e, pelas ligações, autor de um crime de tráfico de influência".
Por Marco Aurélio Weissheimer.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Do blog do Kayser

" A capa da Veja da próxima semana certamente será assim. Afinal, há graves denúncias de espionagem ilegal e de seu uso para a prática de chantagens. A Veja, coerente, imparcial e sempre preocupada com o Estado Policialesco e com a Grampolândia, não deixará por menos. No mínimo, fará uma capa igual à dedicada ao Protógenes e sua tenebrosa máquina de espionagem. Aguardemos. Devidamente sentados, é claro."

Kayser

quinta-feira, 12 de março de 2009

The Economist reconhece que as privatizações da era FHC‏ foram um equívoco.

Transcrevo abaixo, o e-mail que recebi de Flávio José Pastoriz, membro da Comissão Executiva da Federação dos Bancários do Rio Grande do
Sul.

10/03/09 - 15:26

Matéria da revista inglesa The Economist publicada na semana passada reconhece o equívoco de um dos principais pilares do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB): a venda indiscriminada de empresas e bancos estatais. No texto, a publicação afirma que até há pouco tempo no Brasil, acreditava-se que um fatores prejudiciais à economia brasileira seria a influência estatal no setor financeiro. Segundo a revista, entretanto, esse controle estatal é o que dá hoje ao País uma situação favorável perante os demais países e, diante da crise mundial, confere uma “situação favorável incomum ao Brasil".

A matéria se refere à manutenção da gestão estatal, por parte do governo Luiz Inácio Lula da Silva, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), instituições financeiras líderes de empréstimos para empresas e que FHC tentou, sem sucesso, privatizar.

"Outros países estão tentando descobrir como alavancar bancos e direcionar o crédito para as necessidades identificadas. Isso é algo que o Brasil faz, inclusive quando não era 'moda'. Nos bancos privados, as exigências de depósitos e garantias para financiamentos os impediram de correr os riscos financeiros que acabaram por derrubar bancos na Europa e nos Estados Unidos. Até agora, o crédito do Brasil foi 'mordiscado', mas não 'triturado', destacou o texto.

A matéria também sustenta que, na comparação com seu passado recente e na comparação com outros países, a economia do Brasil está em boa forma. "O FMI prevê que somente os países em desenvolvimento na Ásia, África e Oriente Médio terão melhores resultados em 2009. Em comparação com o contexto anterior, no qual o Brasil sofria uma parada cardíaca a cada estresse de outras economias, isso é impressionante", diz o texto.

O texto aponta ainda que as razões para a melhoria do crescimento do País estão fortemente atreladas à melhoria do nível da dívida do setor público, que foi um ponto fraco e agora se mantém abaixo dos 40% do PIB, e a outros fatores. "Os empréstimos em moeda estrangeira foram trocados principalmente por títulos em reais. Além disso, o País acumulou US$ 200 milhões em reservas internacionais para defender o real; seu déficit em conta corrente é pequeno e, o mais importante, a crise não está aumentando a inflação. Isso permite que o Banco Central reduza a taxa básica de juros da economia, permitindo um custo mais barato para a dívida pública. É a primeira vez que o Brasil adota uma política monetária anticíclica", afirma o texto.

Nota do blogueiro: Os privatecas do governo anterior só não venderam a mãe, porque não era patrimônio público. O objetivo era "exugar a máquina pública, acabar com a capacidade de investimento do Estado, deixando toda a iniciativa, o controle do sistema produtivo, nas mãos dos mesmos que quebraram a economia mundial, e que, agora, pedem "arrego" para o mesmo Estado que sonhavam destruir.

"Çabios çeres pençantes."

quarta-feira, 11 de março de 2009

Gilmar Mendes quer controlar a Polícia Federal


O Supremo Presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar-Veja-Como-Se-Liberta-Banqueiro-Corrupto-Mendes, quer controlar a Polícia Federal, instituindo uma espécie de corregedoria, que ficaria sob o controle do judiciário (poder do qual é o "manda-chuva").

O sítio "BemParaná", destaca trechos do discurso de Veja-Mendes: 'O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, chegou hoje (11) de viagem oficial ao Egito e se disse "em parte surpreso" com a divulgação, pela revista Veja, de supostas irregularidades cometidas pelo delegado federal Protógenes Queiróz na Operação Satiagraha, investigação contra Daniel Dantas, do Grupo Opportunity. Mendes defendeu a criação de uma corregedoria judicial de polícia.'

"Em parte, a reportagem também confirma minhas suspeitas de que estava havendo abuso", declarou "Talvez precisássemos pensar num controle externo efetivo da polícia, que é necessário, e até numa corregedoria judicial de polícia, de modo que o Judiciário pudesse controlar esses eventuais abusos."

Imagino o quanto ele tenha ficado surpreso com a matéria do panfleto, mas o caso é bem complicado. Imaginem o Supremo-Presidente, segurando as rédeas da PF? Provavelmente só a veríamos atrás de banqueiros corruptos, amigos do "Supremo", se estivessem fazendo a sua segurança pessoal.

Controles sociais, todos os órgãos e instituições deveriam ter, mas sem a efetiva participação da população, da sociedade civil organizada, e deixando o controle nas mãos dos que já controlam, a tendência é de maior desproporção nas ações desses órgãos.

No caso da PF, provavelmente estaria autorizada a utilizar de toda a sua estrutura para prender "perigosos" ladrões de supermercado, "encoleirada" pelo representante dos "colarinhos-brancos.

Movimento estudantil gaúcho cria blog.

Impulsionados pelas últimas denúncias de corrupção, e pela péssima gestão, realizada pelo Governo do Estado, estudantes de diversos "pagos", escolas, universidades, centros acadêmicos e entidades estudantis, lançaram um novo blog: o "Caras Pintadas do Rio Grande do Sul".

Vale a pena conferir. Abaixo reproduzo o "manifesto de lançamento do blog":

Estamos em um momento crítico em nosso Estado. Perplexidade e indignação marcam o sentimento dos gaúchos a cada novo fato que tem como protagonista o Palácio Piratini. O povo do Rio Grande não suporta a corrupção, o descaso e a arrogância características marcantes da gestão Yeda Crusius.

O tarifaço, a enturmação, o caso da mansão, o fechamento de escolas, o sucateamento da UERGS, o não pagamento do piso nacional ao magistério estadual, a insegurança pública, a repressão aos movimentos sociais, o aumento do próprio salário em 143%, o arrocho ao funcionalismo público, a tentativa de prorrogação dos pedágios, a corrupção no DETRAN tem nas novas denúncias a gota d’água de um governo que desestabilizou politicamente o Rio Grande do Sul, com recordes índices de rejeição. O ideário neoliberal que embasa estas medidas e no alardeado “déficit zero”, que precariza as condições de vida da população, se mostram esgotadas em tempos de crise econômica mundial e indicam que este governo está na contramão da história.

Marcaremos a semana de morte do estudante Edson Luiz, assassinado em 28 de março de 1968 pela ditadura militar, ao melhor estilo do movimento estudantil. A partir do dia 23 uma jornada estadual de mobilização em várias cidades, sendo dia 26 realizado um grande ato em Porto Alegre.

Em diversos momentos, o povo gaúcho marcou a história do Brasil. Não negaremos a nossa história e não renunciamos aos desafios da nossa geração.

Conclamamos a sociedade gaúcha – e os estudantes em especial – no espírito da Campanha da Legalidade, das Diretas Já e do Fora Collor - a exercer nas ruas a soberania do povo frente a um governo desastroso e corrupto. Hoje, estes momentos históricos citados são sintetizados em apenas duas palavras: Fora Yeda!

Os “Caras-Pintada” estão de volta!Ella não pode continuar

Assinam o manifesto as seguintes entidades e lideranças estudantis:

DCE UFRGS
DCE UFSM
DCE UFPel
DCE UCS
DCE FAPA
DCE UNISC
DCE UNICRUZ
CAED (Direito)/Unisinos
Diretório Acadêmico de Ciências Sociais/Unisinos
União Leopoldense de Estudantes
União de Estudantes de Sapiranga
Grêmio CEFET/Pelotas
Executiva Nacional dos Estudantes de Educação Física
Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social
Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil – Coordenação RS
Bruno Elias, 1º Vice-Presidente da UNE
Camila Marcarini, Diretora de Comunicação da UNE
Juliano Medeiros, Diretor de Movimentos Sociais da UNE
Daniel Damiani, Diretor de Assistência Estudantil da UNE
Guilherme Ortiz, 1º Diretor de Cultura da UNE
Rafael Lemes, Diretor de Extensão da Federação Nacional dos Estudantes de Direito
Tábata Silveira, Secretária Nacional da Pastoral da Juventude Estudantil

segunda-feira, 9 de março de 2009

Enquanto a zona corre solta em pindorama

A mídia amiga dos banqueiros bandidos deu uma mãozinha aos defensores da putaria financeira nacional. O panfleto tucano VEJA, publicou uma pseudo-reportagem afirmando que "paira no ar uma rede, estilo big brother" (o do livro 1984, de George Orwell, não o beiteirol global). Uma cruel máquina de espionagem, montada por "seres torpes, bisbilhotando a vida de gente de bem", como Daniel Dantas e seu fiel escudeiro Gilmar Mendes.

O panfleto envolve vários nomes do cenário político nacional em seu discurso travestido de reportagem. Perdi as contas de quantas vezes o termo "estado policialesco" foi utilizado. É estranho, mas esse termo só é utilizado pela mídia corporativa, quando o atacado faz parte de seus quadros sociais ou é parte de seu sustentáculo financeiro. Quando são movimentos sociais, pessoas protestando contra um governo corrupto, que reage soltando seus "cães", esses veículos de comunicação falam em manutenção da ordem.

Dois pesos e umas trinta medidas diferentes, para qualificar e desqualificar, taxar, rotular e jogar por terra esforços de homens que ousam enfrentar a orgia-público-privado que essa "imprensa" ajuda a sustentar:

Abaixo a resposta da vítima da semana, do panfleto político travestido de revista, chamado Veja:

Veja a mentira

O blog do Protógenes Queiroz

Ao povo brasileiro e aos internautas a revista Veja, edição 2103, ano 42, nº 10, datada de 11 de março de 2009, anuncia em sua capa com título ” Exclusivo - A tenebrosa máquina de Espionagem do Dr. Protógenes; Veja teve acesso ao conteúdo do computador apreendido pela Polícia Federal na casa do Delegado do famoso caso Satiagraha; Protógenes bisbilhotou clandestinamente Senadores, José Dirceu, Mangabeira Unger, FHC, José Serra, o Presidente do Supremo-até a vida amorosa da Ministra Dilma Rousseff. “ No seu conteúdo as fls. 84/91 as informações mentirosas produzidas e assinadas pelos jornalistas Expedito Filho, Alexandre Oltramari e Diego Escosteguy, que quanto ao papel da liberdade de imprensa geral e irrestrita sou plenamente favorável, desde que se apure os excessos que por ventura venham atingir a honra das pessoas e fatos ali não verdadeiramente relacionados, sobretudo quando fabricam escândalos envolvendo altas autoridades e instituições ou Poderes da República.

Não é a primeira vez que estamos diante de fatos semelhantes publicados de forma bandida e irresponsável envolvendo situação anterior que provocou o desmantelamento do Sistema Brasileiro de Inteligência - SISBIN ( Gabinete de Segurança Institucional, Agência Brasileira de Inteligência; Inteligência das três forças militares - Marinha-Exército-Aeronáutica; Inteligência da Polícia Federal, e outros ). E aqui fica uma pergunta: A quem interessou tal fato ? Hoje vivemos num clima mercantilista corrupto em que a credibiliade de um órgão de imprensa que no passado teve sua importãncia histórica, hoje lamentávelmente constitui parte dessa engenharia política e comercial sórdida disponíveis a serviço de um poder até então não identificado, mas que possivelmente ultrapassam as nossas fronteiras.

Outro fato importante e criminoso é a divulgação ( fls. 85 da revista Veja, edição 2103, ano 42, nº 10, datada de 11 de março de 2009 ) de documento sigiloso de uma investigação presidida pelo Delegado de Polícia Federal Amaro Vieira Ferreira IPL 2-4447/2008 - DELEFAZ/SR/DPF/SP, além de levar ao conhecimento público do documento, revela a identidade nominal de dois oficiais de inteligência da ABIN, o que é gravissímo, não merece ser desprezado tal fato, pois a banalização fragilizam as Instituições no tocante a segurança externa do Brasil.

É oportuno registrar que nesse mencionado Inquérito Policial sou também investigado, mas em nenhum momento fui se quer ouvido ou exibido documentos e materiais apreendidos relacionados nos autos de busca e apreensão encontrados em minha residência, a fim de dirimir qualquer dúvida a respeito.

Com esse preâmbulo reflexivo passamos agora contrapor as mentiras ali lançadas na matéria acima indicada:

” Na semana passada Veja teve acesso a integra desse material. O conteúdo é estarrecedor e prova que o delegado centralizava o trabalho de uma imensa rede de espionagem que bisbilhotou secretamente desde a vida amorosa da ministra Dilma Rouseff até a antessala do presidente Lula, no Palácio do Planalto - passando pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo governador José Serra, além de senadores e advogados. Nos documentos encontrados na residência do delegado há relatórios que levantavam suspeitas graves sobre as atividades de ministros do governo, fotos comprometedoras que foram usadas para intimidar autoridades e gravações ilegais de conversas de jornalistas - tudo produzido e guardado à margem da lei. O material clandestino - 63 fotografias, 932 arquivos de áudio, 26 arquivos de vídeo e 439 documentos em texto - foi apreendido em novembro do ano passado pela Polícia Federal e estava armazenado em um computador portátil e em um pen drive guardado no apartamento do delegado no rio de Janeiro.” ( fls. 85/86 revista Veja, edição 2103, ano 42, nº 10, datada de 11 de março de 2009 ).

É importante afirmar que em minha residência no Rio de Janeiro não foi apreendido nenhum documento ou material, nem tampouco computador contendo dados da operação Satiagraha, conforme se comprova no auto de busca e apreensão na ocasião da diligência.

As diligências de busca e apreensão na minha residência em Brasília e no Hotel onde me encontrava naquela ocasião resultaram na apreensão de documentos pessoais, poucos documentos e materiais referentes a atividade de inteligência vinculados a operação Satiagraha, pois ali estavam em razão de prestar esclarecimentos pós-operação policial as autoridades competentes vinculadas ao caso ( Ministério Público Federal e a Justiça Federal ). Outro ponto relevante e significativo é que todos os documentos encontrados foram coletados no estrito cumprimento da lei e da Constituição da República.

Os dados cobertos pelo sigilo coletados com autorização judicial e de conhecimento do Ministério Público Federal, em nenhum momento incluiu ou revelou a participação da Exma. Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, do ex-ministro José Dirceu, do Chefe de gabinete da Presidência da República Gilberto Carvalho, do Senador Heráclito Fortes, do Senador ACM Jr., do Ministro Roberto Mangabeira Unger na investigação da Satiagraha.

“… Os policiais buscavam provas de ações ilegais da equipe de Protógenes, entre as quais o áudio da interceptação cladenstina de uma conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres. A existência do grampo foi revelada a VEJA em agosto do ano passado por um agente da Abin que participou da Operação Satiagraha como encarregado da transcrição de centenas de outras conversas captadas ilegalmente. O resultado final da investigação deve ser anunciado até maio, mas, pelo que já se encontrou nos arquivos pessoais de Protógenes, não resta sombra de dúvida sobre a extensão de suas ações ilícitas, cuja ousadia sem limite chegou á antesala do presidente Lula e a seu filho Fábio Luís.( fl. 86 revista Veja, edição 2103, ano 42, nº 10, datada de 11 de março de 2009 )

Quanto a essa falsa afirmação se resume na resposta oficial da decisão da Dra. Maria de Fátima de Paula Pessoa Costa ao exarar no IPL n. 2008.3400031634-9 da 10 ª Vara Federal Seção Judiciária do Distrito Federal dando conta de que o Delegado Protógenes não é investigado específico naqueles autos de investigação que apura o possível ”grampo cladestino que envolveu os nomes do Presidente do STF Gilmar Mendes e o Senador Demosténes Torres”, publicada de forma criminosa pela Revista Veja.

Os possíveis documentos - fs. 86, 88, 89 e 90 revista Veja, edição 2103, ano 42, nº 10, datada de 11 de março de 2009 - origináriamente advindos de investigações sigilosas da Polícia Federal, não merecem o mínimo de credibilidade, tendo em vista o teor mentiroso das informações ali lançadas de formato mentecapto.

Curiosamente na mesma edição criminosa da revista VEJA fl. 22 traz um excelente texto da festejada escritora Lya Luft com o título: ” NO PARAÍSO DA TRANSGRESSÃO “. Tal matéria traduz melhor o nosso sentimento em relação as notícias falaciosas.

“… Políticos sendo acusados de corrupção é tão trivial que as exceções se vão tornando ícones, ralas esperanças nossas. Onde estão os homens honrados, os cidadãos ilustres e respeitados, que buscam o bem da pátria e do povo, independentemente de cargos, poder e vantagens ? … Nessa nossa terra, muitos cidadãos destacados, líderes, , são conhecidos como canalhas e desonestos, mas, ainda que réus confessos ou comprovados, inevitavelmente se safam. Continuam recebendo polpudos dinheiros. Depois de algum tempo na sombra, feito eminências pardas, voltam a ocupar importantes cargos de onde nos comandam… Se invadir a casa de meu vizinho, fizer seus empregados de reféns, der pauladas na sua mulher ou na sua velha mãe e escrever nas paredes com excremento humano frases ameaçadoras, imagino que eu vá para cadeia. Os bandos de pseudoagricultores ( a maioria não sabe lidar na terra ) fazem tudo isso e muito mais, e nada lhes acontece: no seu caso, bizarramente, não se aplica a lei… Eis o paraíso dos transgressores: a lei é da selva, a honradez foi para o brejo, a decência te de ser procurada como fez há séculos um filósofo grego: ao lhe indagarem por que andava pela cidade com uma lanterna acesa em dia claro declarou: ” Procuro um homem honesto “. O que devemos dizer nós ? Temos pouca liderança positiva, raríssimo abrigo e norte, referências pífias, pobre conforto e estímulo zero, quase nenhuma orientação. A juventude é quem mais sofre, pois não sabe em que direção olhar, em que empreitadas empregar sua força e sua esperança, em quem acreditar nesse tumultuo de ideais desencontradas. Vivemos feito bandos de ratos aflitos, recorrendo à droga, à bebida, ao delírio, a alienação e à indiferença, para aguentar uma realidade cada dia mais confusa: de um lado, os sensatos recomendando prudência e cautela; de outro, os irresponsáveis garantindo que não há nada de mais com a gigantesca crise atual, que não tem raízes financeiras, mas morais: a ganância, a mentira, a roubalheira, a omissão e a falta de vergonha. E a tudo isso, abafando nossa indignação, prestamos a homenagem do nosso desinteresse e fazemos a continência da nossa resignação. Meus pêsames, senhores. Espero que na hora de fechar a porta haja um homem honrado, para que se apague a luz de verdade, não com grandes palavras e reles mentiras.

sábado, 7 de março de 2009

Ato contra o editorial "DITABRANDA", da Bolha de São Paulo.





Abaixo manifesto do Movimento dos Sem Mídia, lido no local pelos manifestantes:
Movimento dos Sem Mídia
Pela Justiça e pela Paz no Brasil
A Organização Não Governamental Movimento dos Sem Mídia – MSM, entidade de direito privado constituída juridicamente em 13 de outubro de 2007, exorta a sociedade brasileira a repudiar a perniciosa e ameaçadora revisão histórica perpetrada recentemente por editorial do jornal Folha de São Paulo, texto que relativizou a gravidade de crimes cometidos pelo Estado brasileiro entre os anos de 1964 e 1985, período durante o qual a Nação brasileira sofreu usurpação de um golpe militar ilegal e inconstitucional que, por seu turno, gerou aos brasileiros conseqüências nefandas tais como censura à liberdade de pensamento e de expressão, prisões arbitrárias e crimes de tortura, de estupro e de morte, atos de terror que destruíram as vidas de milhões de brasileiros, muitos dos quais sobreviveram àquele terror e, assim, carregam até hoje seqüelas daquele período de trevas.
No âmbito desse repúdio, cumpre à nossa entidade tornar públicos os pontos daquele texto jornalístico que julgamos perniciosos e ofensivos às vítimas que tombaram e às que sobreviveram àquele regime de força, que suprimiu os princípios e mecanismos do Estado Democrático de Direito e as garantias, liberdades e direitos individuais e coletivos, somente restituídos ao povo brasileiro com a edição da vigente Constituição Federal de outubro de 1988.
O editorial do jornal Folha de São Paulo intitulado “Limites a Chávez” foi publicado em 17 de fevereiro deste ano. O veículo de comunicação exerceu um direito óbvio e que não se questiona, o direito de opinar. Criticar o resultado do plebiscito recente na Venezuela ou emitir qualquer outra opinião, portanto, jamais estimularia nossa Organização a protestar de forma tão solene e veemente se não fosse a tentativa de revisão histórica que afirmou que o regime dos generais-presidentes teria sido “brando”, pois tal afirmativa constituiu-se em dolorosa bofetada nos rostos dos que sobreviveram, em verdadeiro deboche dessas vítimas expresso por meio do termo jocoso “ditabranda”, corruptela do único termo possível para identificar aquele regime, o termo ditadura.
Em poucas palavras, o editorial da Folha de São Paulo criou teorias novas, como se verá em trecho a seguir. Disse a Folha de São Paulo: “As chamadas "ditabrandas" – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”.
O perigo e a afronta residem no eufemismo. Com efeito, o diabo está nos detalhes. Diga-se essa barbaridade de “acesso controlado à Justiça” aos que ficaram pelo caminho da máquina opressora do Estado brasileiro de então, aos que sofreram tudo que foi acima enumerado. Diga-se a eles que tiveram acesso “controlado” para buscarem reparação pelas violências que sofreram. Achem um só que tenha encontrado guarida e reparação na Justiça, à época, pelas violências que sofreu. E mais: diga-se isso aos que não sobreviveram às ações arbitrárias daquele Estado ditatorial e aos seus famliares.
No conceito de nossa Organização, conceito este amparado no melhor Direito Universal, o que fez o jornal em questão foi dizer “brandos” aqueles crimes, abrindo espaço para a proliferação de mentalidades que ainda defendem publicamente métodos excepcionais de “controle” da Cidadania e das próprias vidas dos cidadãos.
Dizem os defensores da usurpação do Estado Democrático de Direito que ocorreu naquele período obscuro de nossa história que havia então uma “guerra” no Brasil. Uma guerra em que tantos jovens idealistas, muitas vezes pouco mais do que imberbes, sucumbiram defendendo a Constituição, por sua vez violentada pelos desejos de poucos, que estupraram o desejo da maioria que delegou o Poder a um governo constitucional que a ditadura derrubou por meio de golpe de Estado.
O Brasil daquele 1964 tinha um governo eleito pelo voto. Não foi destituído por um processo democrático que se valeu dos mecanismos constitucionais que existiam e que poderiam ser usados se os que se opunham àquele governo acreditassem que tinham representatividade popular para fazer tais mecanismos prevalecerem. Não. Por não estarem amparados pela maioria dos brasileiros, os usurpadores do Poder de Estado legalmente constituído em eleições livres e democráticas trataram de usar a violência, a sedição e a ilegalidade para fazerem prevalecer suas visões, desejos e interesses minoritários, impondo-os sobre uma maioria que mais tarde seria amordaçada e ameaçada, de forma que não pudesse contestar a ruptura do Estado de Direito.
Equiparar o Estado àqueles que os defensores do regime de exceção diziam ser “terroristas”, era, é e sempre será uma aberração jurídica, para economizar palavras. Não cabe no conceito de democracia, de Estado de Direito, a hipótese de agentes do Estado imporem suplícios físicos desumanos e criminosos àqueles dos quais desconfiavam de que não compartilhavam suas idéias totalitárias.
O que torna mais dramática essa revisão afrontosa daquele período da história é que o jornal Folha de São Paulo não se contentou só com ela. Diante dos protestos de dois dos expoentes mais respeitados da intelectualidade brasileira tanto no Brasil quanto no exterior, a professora Maria Victória Benevides e o professor Fábio Konder Comparato, o jornal tratou de insultá-los de forma virulenta, qualificando-os como “cínicos e mentirosos”, claramente tripudiando da indignação dos justos ante absurdo tão rematado quanto o acima descrito.
Nem as poucas opiniões contrárias que o jornal permitiu que fossem vistas em suas páginas opinativas, sempre de forma tão “controlada” quanto afirmou antes que fazia a sua “ditabranda”, puderam minorar a dor dos sobreviventes dos Anos de Chumbo, e tampouco fizeram a justiça necessária à memória das vítimas fatais da ditadura cruel que vigeu naquele período triste da história deste País.
Tanta injustiça, desrespeito, deboche talvez encontre “explicação” quando se analisa o papel exercido pelo jornal contra o qual protestamos durante boa parte do tempo em que a ditadura militar oprimiu esta Nação.
Em obra literária de autoria de um colaborador desse meio de comunicação, do jornalista Elio Gaspari, intitulada “A Ditadura Escancarada”, figura acusação ao jornal Folha de São Paulo que este jamais rebateu de forma adequada e pública, a acusação de que cedeu veículos à sua “ditabranda” para o transporte de presos políticos.
Mas é em editorial desse grupo empresarial publicado em 22 de setembro de 1971, no auge da ditadura, que transparecem as relações de então entre a mídia e o regime. Diz aquele editorial pretérito tão nefasto quanto o editorial mais recente, sendo ambos do grupo empresarial de comunicação da família Frias:
“Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca ouve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. O país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete o sentimento deste." Octávio Frias de Oliveira, 22 de setembro de 1971”.
Apesar desse documento histórico com dia, mês e ano, e que pode ser encontrado nos arquivos desse grupo empresarial de comunicação, apesar desse documento que mostra faceta do jornal Folha de São Paulo que ele teima em não reconhecer e que certamente não quer ver conhecido por seu público atual talvez por ter vergonha de seu passado, sua alegação contemporânea é a de que “combateu” a ditadura que aquele editorial, assinado por seu proprietário de então, qualificava como “séria, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular”.
Não se consegue entender como a Folha de São Paulo, então, media o “apoio popular” à ditadura, pois não havia eleições livres ou mesmo pesquisas sobre a popularidade dos ditadores. Era, pois, uma invenção a tese de que a ditadura estaria “levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social”, porque, à luz do conhecimento histórico daquele período, o que se sabe é que o que gerou foi concentração de renda, ou seja, empobrecimento dos mais pobres e enriquecimento dos mais ricos.
No dia em que o editorial profano mais recente foi lido pelos Sem Mídia, o que nos veio às mentes foram as palavras imortais do ativista negro norte-americano doutor Martin Luther King que pregaram, há tantas décadas, a conduta dos democratas diante dos violadores da democracia: “O que preocupa não são os gritos dos maus, mas o silêncio dos bons”. E é por isso que estamos aqui hoje, porque a sociedade civil não aceita e não ficará inerte assistindo a defesa velada de uma ditadura e a tentativa de vender a tese de que ela foi menos do que ilegal, imoral e terrivelmente dura, tendo sido tudo, menos “branda”.
São Paulo, 7 de março de 2009
Eduardo Guimarães
Presidente
Cobertura completa do ato no Blog Dialógico.