segunda-feira, 14 de junho de 2010

Noblat joga a toalha...

..."Hoje, parece improvável que Dilma perca"



Deu no blog de Ricardo Noblat (hospedado em O Globo), agora a pouco (8h15):

[...] Hoje, parece improvável que [Dilma] perca. É o que admitem em segredo oito entre cada 10 políticos de todos os partidos. Jamais um candidato a presidente contou com cabo eleitoral tão forte e disposto, e uma conjuntura tão favorável.

Em conversa com amigos, Lula confidencia coisas do tipo: “Quero somente ver se o Serra tem sangue de barata. Só se tiver para não reagir às provocações que lhe farei”.

Ou então: “Eu me empenharei em eleger Dilma de uma forma como nunca fiz nem para mim mesmo”. Ou ainda: “Eleger Dilma é uma questão de honra para mim”.

O grau de felicidade dos brasileiros está em alta. Lula tem sido feliz na venda da idéia de que é o único inventor do país da bonança.

Entre 2002 e este ano, o salário mínimo pulou de US$ 80 para US$ 280; o Produto Interno Bruto (PIB) foi de US$ 500 bilhões para US$ 1 trilhão; e 30 milhões de pobres ascenderam à classe média.

Somente um imprevisto, um clamoroso erro ou sucessivos erros de pequeno e médio porte serão capazes de imprimir um novo rumo a uma eleição com toda a pinta de que acabou antes de começar para valer.

Erros podem ser evitados poupando-se Dilma de protagonizar situações que escapem ao controle dos seus atentos guias.

Nada de se expor em debates – pelo menos até que se distancie de Serra nas pesquisas de intenção de voto. Caso isso ocorra, comparecer a debates para quê?

Nada de entrevistas a não ser para veículos confiáveis e jornalistas preocupados antes de tudo com fontes de informações a serem abertas no próximo governo.

O mais recomendável seria que Dilma se reservasse para brilhar nos comerciais e programas de propaganda eleitoral de campanha. Ainda assim como uma espécie de segundo sol.

Se ela se limitar a exaltar Lula e a ser exaltada por ele, e defender vagas idéias consensuais, só perderá se o destino lhe for ingrato. Presidência é destino. [...]

Repito: o texto acima foi redigido e publicado hoje por um jornalista-blogueiro do PIG, trabalha a soldo de O Globo, de propriedade da família Marinho, e se chama Ricardo Noblat.

Acreditem.

Texto extraído (menos o título) do Blog Diário Gauche, de Cristóvão Feil.

Nota do blogueiro: Tentei deixar o link do texto original, do blog do Noblat, mas como não sou assinante do chumaço de papel para o qual escreve, não tenho acesso (ao link direto), mas pode-se ler o texto aqui, procurando pelo título "Lula ganhou".
O texto é como deveria se esperar, um ataque gratuito ao PT, Lula e Dilma, mas realmente surpreende o tom de "não deu pra nóis, tucanada", explícito nos trechos acima.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Imposto sobre grandes fortunas avança na Câmara


Do blog Tijolaço, do Deputado Federal Brizola Neto:

Passou meio despercebida ontem uma notícia muito importante. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o Projeto de Lei Complementar 277/08, da deputada Luciana Genro (Psol-RS), que institui o Imposto sobre Grandes Fortunas para todo patrimônio superior a R$ 2 milhões.

É um primeiro passo para uma tributação mais justa no país, que atinja o alto da pirâmide e gere mais caixa para investimentos em saúde, educação e moradia, entre outros setores de responsabilidade primordial do Estado. O projeto ainda precisa passar pelo Plenário, e se aprovado seguirá para o Senado.

Esta é uma batalha dura. Empresários e parlamentares vivem cobrando uma reforma tributária no país, mas evitam debater o Imposto sobre Grandes Fortunas, cuja criação foi prevista na Constituição de 1988. Imposto semelhante existe na Alemanha, França e Suíça, enquanto na Inglaterra e Estados Unidos existem impostos elevados sobre heranças.

Pelo projeto aprovado, a alíquota do imposto varia de acordo com o tamanho da fortuna. Para o patrimônio de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões, a taxação será de 1%. Entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões, de 2%. De R$ 10 milhões a R$ 20 milhões, de 3%. De R$ 20 milhões a R$ 50 milhões, de 4%; e de 5% para fortunas superiores a R$ 50 milhões.

Para os que vão se levantar contra a medida, é importante ressaltar que um trabalhador que ganha R$ 5 mil por mês, paga anualmente de Imposto de Renda 13,66% de seu ganho anual. E estamos falando de imposto sobre a renda gerada pelo seu trabalho. Diante disso, o que significa pagar 1% para quem tem um patrimônio de mais de R$ 2 milhões?

O número de brasileiros milionários não é preciso, mas tomando por base levantamento após a crise de 2008, publicado por O Globo em junho do ano passado, são 131 mil indivíduos que tem mais de US$ 1 milhão em investimentos financeiros.

Nota do blogueiro: 131 mil contra mais de 190 milhões. A lógica é simples: Taxar os primeiros para financiar o bem estar do todo.
A gritaria será muito grande e dificilmente essa proposta será aprovada. Boa parte dos parlamentares tem patrimônio superior a R$ 2.000.000,00 (obviamente que estou desconsiderando as declarações de patrimônio prestadas a Justiça Eleitoral, onde uma propriedade rural com mais de 1.200 ha é avaliada em R$ 10.000,00). Suas bases e financiadores também seriam "atingidos".
O P.I.G. vai apelar ao impostômetro e a pretensa alta carga tributária do país, que em tese, atrapalha o desenvolvimento do país, desconsiderando o volume de impostos pagos em países muito mais desenvolvidos economicamente, como exposto abaixo (alíquotas máximas de impostos sobre renda):

•Dinamarca - 59,74% (Europa)
•Suécia - 56,60% (Europa)
•França - 55,85% (Europa)
•Bélgica - 53,50% (Europa)
•Holanda - 52% (Europa)
•Finlândia - 50,90% (Europa)
•Áustria - 50% (Europa)
•Japão - 50% (Ásia)
•Austrália - 48,50% (Oceania)
•Canadá - 46,41% (América do Norte)
•Alemanha - 45,37% (Europa)
•Espanha - 45% (Europa)
•Itália - 44,10% (Europa)
•Suíça - 42,06% (Europa)
•Portugal - 42% (Europa)
•Irlanda - 42% (Europa)
•Polônia, Grécia, Reino Unido e Noruega - 40% (Europa)
•Estados Unidos - 39,76% (América do Norte)

Fonte: http://www.igf.com.br/

terça-feira, 8 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

Os tontos

O tucanato está tonto e zangado

Elio Gaspari:

O tucanato está tonto, sem motivo. A prova da falta de rumo está na insistência de José Serra em fazer oposição vigorosa... ao governo da Bolívia.

Campanhas presidenciais têm momentos mágicos, como o dia em que Fernando Henrique Cardoso viu eleitores empunhando cédulas do real durante um comício na Bahia.

Serra precisa perseguir esses momentos. Ele entrou na disputa com um discurso aveludado, lembrando Tancredo Neves, e em poucas semanas crispou-se, tentando ficar parecido com Fernando Collor.

A perplexidade tucana não tem amparo na realidade. A percentagem de eleitores dispostos a tirar o PT do governo é igual à daqueles que gostariam de votar em Dilma Rousseff. Trata-se apenas de batalhar pelo votos com uma plataforma real, livre de marquetagens. Se perder, paciência.

Em 2008, nos Estados Unidos, o jogo bruto detonou a candidatura de Hillary Clinton, que parecia invencível. Em vez de falar macio, ela e o marido, Bill, decidiram pegar pesado. Ciscaram para fora.

Num episódio típico, empurraram Ted Kennedy para o colo de Obama. É verdade que ele namorava a hipótese, mas a gota d’água deu-se quando Bill Clinton disse-lhe: “Esse sujeito nunca fez nada. (...) Ele nos servia café!”. Kennedy ouviu e fechou a conta.

Tanto Serra como Dilma parecem-se mais com madame Clinton do que com o companheiro Obama. O problema de Serra é que Dilma tem Lula ao seu lado. Com estrondos, não ganhará a eleição.

Extraído do blog do Noblat.

Aqui, o comentário de Paulo Henrique Amorim sobre o texto de Elio Gaspari: Serra só tem uma saída: Pendurar FCH no pescoço.

sábado, 5 de junho de 2010

Concessionárias deitam e rolam em São Paulo.

A charge acima foi extraída do Jornal Eletrônico Sul 21.

No mês de abril, comentei aqui o texto de Élio Gaspari, no qual comenta a brutal diferença de valores cobrados pelas concessionárias instaladas pelo tucanato, e as recentes concessões do governo federal.

Agora, a própria Rede Globo, beneficiária da governança paulista de José Serra, critica os preços, o volume de praças, a distância entre essas (cerca de 30 km) e a forma como elas "dão cria" em solo paulista (instala-se uma praça de pedágio, em rodovias já privatizadas, a cada 40 dias).

Ou as "viaturas" da Globo não receberam passe livre, ou alguns repórteres perderão a cabeça, ao melhor estilo José Serra de enfrentar críticas.

O vídeo foi extraído do Site Conversa Afiada, do censurado Paulo Henrique Amorim

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Chora direita!

O isolamento dos Estados Unidos

Por Juremir Machado da Silva

Quem tem pressa come cru.
É melhor do que não comer. Mas tem preço.
Quando Luiz Inácio disse que a crise financeira de 2008 chegaria ao Brasil como uma marolinha, foi ridicularizado.
Estava certo.
Agora, depois de mediação do rolo dos iranianos com os Estados Unidos, foi motivo de chacota ao dizer que os americanos ficariam isolados.
Não estava totalmente errado.
O jornal “Herald Tribune” estampou a seguinte manchete: “Ao ignorar o acordo com o Irã, Obama se afunda em mais um fracasso”.
Roger Cohen, autor do texto do HT, bateu forte: “Os americanos veem os iranianos como ‘evasivos, falsos, fanáticos, violentos e incompreensíveis’. Os iranianos, por sua vez, veem os americanos como ‘beligerantes, hipócritas, ateus, imorais, materialistas, calculistas’, sem mencionar provocadores e exploradores”.
Na mosca.
O Brasil e a Turquia fizeram o que era necessário. Os Estados Unidos e seus principais aliados, mortos de inveja e feridos nos seus interesses, esnobaram o acordo. O Herald Tribune dá no fígado dos que torceram o nariz para a ação conjunta de Brasil e Turquia: “Como se fosse necessária mais uma ilustração da relação de desconfiança, esta acaba de ser fornecida pelo acordo do Brasil e Turquia sobre o urânio pouco enriquecido do Irã, a reação rabugenta dos EUA e a aparente determinação dos Grandes Poderes, liderados pelo governo Obama, de se afundar mais no fracasso”.
O articulista puxa as orelhas da arrogante Hillary Clinton por querer liquidar com muitas rapidez os “esforços sinceros” de Brasília e Ancara em resolver problemas de grande interesse mundial.
A sentença do jornal americano é esta: fatos são fatos.
Brasil e Turquia consolidaram o acordo proposto pelos Estados Unidos em outubro de 2009. Qual foi a recompensa americana: desdenhar o pacto e defender novo sanções contra o Irã. Conclusão do HT: “No ano passado, na ONU, Obama pediu uma nova era de responsabilidade compartilhada. ‘Juntos, precisamos construir novas coalizões que superem nossas divisões’, declarou. Turquia e Brasil responderam – e foram esnobados. Obama fez suas próprias palavras iluminadas parecerem vazias”. Deu? Ou querem mais? Os franceses acharam a intervenção brasileira no caso do urânio iraniano ingênua, mas, segundo o jornal “Le Monde”, foram cautelosos nas críticas por uma razão bem simples: não atrapalhar a venda dos caças Rafale ao Brasil. Cinismo e grana.
Nada como ler direto na fonte, o jornal “Le Monde”: “Na sequência diplomática, rápida e cheia de reviravoltas, que acaba de acontecer em torno da questão nuclear iraniana, a França se esforçou para poupar o Brasil de uma forma surpreendente, a fim de preservar os interesses comerciais e a ‘parceria estratégica’ com o gigante da América Latina. questão da venda do caça Rafale para o Brasil parece ter contado bastante nessa abordagem”. São esses países e lideres que pretendem dar lições ao mundo? Luiz Inácio está deitando e rolando. Os Estados Unidos só não estão isolados por terem como comprar uma considerável gama de potências aliadas.
Um terceiro jornal, o espanhol "El Pais", encheu a bola de Luiz Inácio: "Essa atitude corresponde a uma política internacional de cunho realista, que é conduzida sobretudo pelos interesses do Brasil como potência americana com vocação global. É uma aposta que compete diretamente com os europeus, cuja nutrida presença nas instituições internacionais, além de acentuar sua cacofonia e sua capacidade divisora, não faz mais que salientar a antiguidade de uma arquitetura internacional que se mantém quase intacta desde que terminou a última guerra mundial, há 65 anos.
Lula sempre desenvolveu uma grande atividade internacional. Mas este ano de 2010, o último de sua presidência, registrou um salto qualitativo, marcado por dois deslocamentos ao exterior que indicam como sondas a profundidade da vocação do Brasil. O primeiro o levou em março passado ao Oriente Médio, região geográfica que jamais havia ocupado um presidente brasileiro. O segundo o levou agora a Teerã e lhe proporcionou o raro privilégio de se encontrar com o guia supremo da revolução, o aiatolá Ali Khamenei, algo que só está ao alcance de uma lista muito restrita de mandatários estrangeiros. Com sua imagem de bonomia proletária e seu enorme prestígio, Lula está atuando como um foguete propulsor do Brasil na nova etapa geopolítica multipolar. Está bem claro que como parte de seu legado político quer deixar o Brasil situado o mais alto possível no cenário internacional, e especialmente bem colocado em suas apostas institucionais".
Chora, direita.
O iletrado está escrevendo história.

Israel defendeu-se!

Do ataque feroz, cruel e sanguinário que se seguiria, caso os navios turcos atracassem. O vídeo abaixo, mostra farto e sofisticado armamento, oculto dentro dos barcos atacados pelos israelenses, que provavelmente serviriam para abastecer exércitos terroristas.


Já estou apto a escrever no blog do Professor Hariovaldo?

Como tucanos reagem a protestos?

Jogando direitos constitucionais no lixo.

Texto e vídeo extraídos do Blog RS Urgente, de Marco Aurélio Weissheimer:

Professores repudiam invasão de universidade pela PM em Florianópolis



A Associação dos Professores da Universidade do Estado de Santa Catarina (APRUDESC) e a Associação dos Docentes da Faculdade de Educação da UDESC divulgaram nota de repúdio à ação da Polícia Militar catarinense que invadiu as dependências da universidade no dia 31 de maio para reprimir uma manifestação de estudantes contra o aumento das tarifas de ônibus em Florianópolis. A nota das duas entidades afirma:

Na noite de 31 de maio, frente a uma manifestação de estudantes na entrada principal do campus da UDESC no Itacorubi, contrária ao aumento das tarifas de ônibus urbanos na capital, uma ação da Polícia Militar, sob o comando do tenente-coronel Newton Ramlow, resultou na agressão, no espancamento e na detenção de pessoas, com invasão do campus da UDESC.

Apesar da alegação de “garantia da ordem e do direito de ir e vir dos cidadãos”, o aparato policial, paradoxalmente, prejudicou o fluxo de veículos, confinou os estudantes dentro do campus e promoveu uma sucessão de atos de violência e brutalidade. Policiais armados de cassetetes, arma taser, gás pimenta e cães criaram um confronto desigual e inadmissível em contraste com os manifestantes, que promoviam uma passeata pacífica, fundamentada em uma postura de cidadania legítima e coerente com o que se espera de acadêmicos críticos e preocupados com os problemas da cidade em que vivem, entre eles, o estado vergonhoso do transporte coletivo de Florianópolis.

Este lamentável acontecimento foi presenciado por vários professores, que tentaram inutilmente mediar a situação, cujas conseqüências podiam ser vistas no terror dos estudantes acuados, temerosos diante da truculência dos policiais envolvidos. A ADFAED – Associação dos Docentes da FAED e a APRUDESC – Associação dos Professores da UDESC consideram que o acontecido envolveu uma dupla violência: contra os manifestantes e seus direitos de livre expressão e associação, e contra a Universidade, cujo dever é justamente o de promover o debate, a reflexão, a crítica e o respeito aos direitos civis.

Repudiamos, pois, a invasão do campus da UDESC pela PM bem como as agressões cometidas contra os estudantes, e exigimos que as autoridades competentes atentem a seus deveres constitucionais, como requer um Estado democrático e de direito.

Não tiramos os sapatos.

Do Diário Gauche:

Lula comenta a subserviência da mídia brazuca com Hillary Clinton



O título refere-se a "diplomacia do vira-latas", praticada pelo governo tucano de FHC/Serra, em evidência aqui.

terça-feira, 1 de junho de 2010

"Um fantasma ronda a Europa..."

Cidadãos Europeus, Uni-vos!

Por Boaventura de Sousa Santos, para a Agência Carta Maior.

A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os atores sociais estão perplexos e paralisados. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular relativamente do capital ou o futuro é o fascismo. O artigo é de Boaventura de Sousa Santos

Os dados estão lançados, o jogo é claro e quanto mais tarde identificarmos as novas regras mais elevado será o custo para os cidadãos europeus. A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os atores sociais estão perplexos e paralisados. Enquanto prática política, a luta de classes entre o trabalho e o capital nasceu na Europa e, depois de muitos anos de confrontação violenta, foi na Europa que ela foi travada com mais equilíbrio e onde deu frutos mais auspiciosos.

Os adversários verificaram que a institucionalização da luta seria mutuamente vantajosa: o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada; os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista. Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados: altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de proteção social; o modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.

Todo este sistema está à beira do colapso e os resultados são imprevisíveis. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra: o acúmulo histórico das lutas sociais, de tantas e tão laboriosas negociações e de equilíbrios tão duramente obtidos, é lançado por terra com inaudita arrogância e a Espanha é mandada recuar décadas na sua história: reduzir drasticamente os salários, destruir o sistema de pensões, eliminar direitos trabalhistas (facilitar demissões, reduzir indenizações). A mesma receita será imposta a Portugal, como já foi à Grécia, e a outros países da Europa, muito para além da Europa do Sul.

A Europa está sendo vítima de uma OPA por parte do FMI, cozinhada pelos neoliberais que dominam a União Europeia, de Merkel a Barroso, escondidos atrás do FMI para não pagarem os custos políticos da devastação social. O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto: se a FAO calcula que 30 bilhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 bilhões para salvar o sistema financeiro europeu?

A luta de classes está voltando sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho. O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois fatos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. Nunca os que trabalham trabalharam tanto e nunca lhes foi tão difícil identificarem-se como trabalhadores. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia. A crise atinge todos porque todos são trabalhadores.

Segundo, não há economias nacionais na Europa e, por isso, a resistência ou é europeia ou não existe. As lutas nacionais serão um alvo fácil dos que clamam pela governabilidade ao mesmo tempo que desgovernam. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular relativamente do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá que ser combatido por todos os meios.