terça-feira, 5 de julho de 2011

Porto Alegre em defesa do Estado Laico.

Primeira campanha ateísta do Brasil é lançada em Porto Alegre
Milton Ribeiro e Vivian Virissimo
Porto Alegre se tornou nesta terça-feira (5) a primeira capital brasileira a exibir outdoors de uma campanha de mídia sobre ateísmo. A iniciativa é da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos e já havia sido recusada no final do ano passado pelas companhias de ônibus de São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre.


A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA) havia anunciado em 13 de dezembro do ano passado que alguns ônibus de Porto Alegre ostentariam mensagens ateias, porém, segundo Daniel Sottomaior, a Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) teria desistido da campanha na última hora.
“Fiquei sabendo pela imprensa que a ATP vetara a veiculação dos anúncios. Quando contatei com a Associação, ela primeiro confirmou o veto e depois passou a dizer qua nada ocorrera e que desconhecia o assunto”, afirmou Sottomaior ao Sul21.
As peças são polêmicas e falam sobre fé, moralidade e ateísmo. Uma delas exibe as fotos de Charles Chaplin, que era ateu, e Adolf Hitler, que não era ateu, com os dizeres “religião não define caráter”. Outra afirma “Somos todos ateus com os deuses dos outros”, e traz imagens de uma divindade hindu, uma divindade egípcia e de Jesus de Nazaré, com as legendas “mito hidu”, “mito egípcio” e “mito palestino”. Uma terceira diz que “A fé não dá respostas, só impede perguntas”. Os cartazes devem ser exibidos ao longo de um mês.
  
Conforme pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, os ateus são as pessoas mais detestadas no país, merecendo repulsa, ódio ou antipatia de 42% da população. Para o presidente da entidade, Daniel Sottomaior, o propósito da campanha é aproximar o ateísmo do dia-a-dia da sociedade e assim ajudar a diminuir o preconceito que existe contra ateus.
Em junho, a entidade ganhou uma liminar que lhe concedia direito de resposta na TV Bandeirantes para responder a comentários considerados ofensivos do jornalista José Luiz Datena, no extinto programa Brasil Urgente. A liminar foi cassada mas o julgamento do mérito continua pendente. Datena e a Bandeirantes foram processados por diversos ateus no país devido a esse episódio.
Na ocasião, Datena disse que só quem não acredita em Deus é capaz de cometer crimes. Para ele, ateus são “pessoas do mal”, “bandidos”, “estupradores”, “assassinos” e atribuiu a culpa da violência e da corrupção no país aos ateus.
Entre os dias 4 e 17 de julho estarão expostos dois outdoors. Os outdoors da segunda quinzena serão outros.



Os cartazes estão nos seguintes locais de Porto Alegre.
Bairro Bela Vista – Av. Carlos Gomes, 1229
Bairro Jardim Botânico – Av. Ipiranga, 3850 próx. Rua Barão do Amazonas
Bairro Chácara das Pedras – Av. Antônio Carlos Berta, em frente ao Mc Donald’s do shopping Iguatemi
Bairro Petrópolis – Av. Protásio Alves, em frente ao Hospital Petrópolis na esquina com a Lucas de Oliveira.

Nota do blogueiro: Em tempos de ataques às instituições públicas, por carolas que, em busca de votos criminalizam bibliotecas que não oferecem suas doutrinas e obrigam escolas a exibir símbolos de uma religião específica, e revigorante ver o exemplo de cidadãos que expõem-se em defesa do laicismo, e na divulgação de ideiais seculares e racionais.
Agora, esperemos pela reação dos saudosistas da idade média.

8 comentários:

Reviragita Poesia disse...

A maldade decorre da imperfeição
de cada um em particular.
Religião não define caráter.
Assim como não devemos indicar ou
até impor religiões, não devemos
indicar ou impor ateísmo.
Todos nós merecemos respeito e
devemos ter nossas opiniões
respeitadas - Ninguém pode, nem
deve discriminar ninguém.
É o que eu penso.

Cristiano Freitas Cezar disse...

42% da população odeia os ateus. Se motivo algum, simplesmente por pensar diferente. É uma manifestação de desagravo a uma minoria injustamente qualificada como o que "existe de pior".
Religiões, quando no espaço privado, podem até ter conotações espiritualistas, ams quando vem a público, manifestam clara agenda política.

Grato pelo comentário, e fique a vontade, a casa é tua.

Marcelão disse...

Fala Mano velho. Sigo uma crença que se recusa ao envolvimento político, inclusive não votam... Cumprem com a sua obrigação legal e anulam seus votos.
Aliás, concordo que religião não forma caráter, porque é preciso por em prática o que lá se encontra. Tem muito hipócrita por aí. Abraço. Marcelão.

Cristiano Freitas Cezar disse...

Fala Marcelo. É como eu disse acima: no espaço privado, pode ter caráter espiritualista, de crença e tudo o mais.
Na esfera publica, torna-se movimento político.
Hipocrisia é o que não falta, no lado de lá, no lado de cá, em cima, embaixo, tem pra todo o tipo e gosto.
Um grande abraço mano velho. E a casa é tua, opiniões são muito bem vindas...

Marcelão disse...

Não entendi porque torna-se movimento político, discorra sobre essa ideia...

Abraço cara.

Marcelão

Cristiano Freitas Cezar disse...

Na medida em que tentam moldar o espaço público, o Estado, de acordo com seus dogmas e conceitos.
Como no exemplo de deputados, representantes de campos religiosos que tentam impôr ensino de proselitismo religioso, em caráter obrigatório, nas escolas públicas (com financiamento público), a exibição de símbolos religiosos nesses espaços.
Na tentativa de condicionar o saber científico e a sua aplicação ä preceitos mitológicos.
Como quando vão a público destilar preconceitos e toda a sorte de discriminações contra campos sociais que não toleram, ou, mais uma vez, contrariam seus interesses/dogmas.
E, como um partido político, tentam arregimentar filiados, de todas as formas possiveis, para, seguindo as cartilhas, expandirem suas demandas.
Assim, em síntese, a religião se faz campo político.

Um grande abraço, extensivo à família.

Zenóbio Castro disse...

Que ridiculo isso!!! não é querendo impor minha religião, mas não podemos esquecer a grande contribuição etico-moral que a igreja deu ao Brasil e ao mundo durante muitos anos, apesar de varios erros.

Cristiano Freitas Cezar disse...

Poderíamos citar os cruzados e inquisidores como uma contribuição ético-moral?
Seja bem vindo, e fiques a vontade, à casa é tua.