segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Para a América Latina nada mudou

Política do "big stick" ganha nova base. Agora os golpes podem ser preparados na Colômbia.

Em pouco mais de um século (1846 a 1996), os Estados Unidos patrocinaram mas de 85 intervenções em diversos países da América Latina. Desde golpes de estado, passand por manipulações eleitorais, favorecimento financeiro a grupos de direita e extrema direita, até a invasão armada, propriamente dita.

Situações extremas como o do México, que perdeu um terço de seu território, da Nicarágua que sofreu 5 invasões em sete anos (1850-1857), Cuba, que teve uma emenda à sua constituição eleborada por um Senador estadunidense, permitindo a invasão "legal" do país, caso surgisse algum cenário desfavorável ao comércio entre os dois países, o massacre em El Salvador, e a imensa lista de países que tiveram governantes legítimos expurgados por vilentas ditaduras civil-militares apoiadas por esses apoiadas (Brasil, Nicarágua, Chile, México, Haiti, Uruguai, Argentina, Guatemala, Costa Rica, Bolívia, Equador, Republica Dominicana, Granada e recentemente o fracasso da tentativa na Venezuela). A lista de atrocidades, intervenções, guerras, invasões, golpes de estado, "derrames de dólares" é imensa, e ficou marcada com o sugestivo nome de política do Big Stick (grande porrete).

Muitos analistas deram como encerrada essa fase, mas a recente tentativa de golpe na Venezuela, a reativação da quarta frota, e a instalação de bases militares na Colômbia, reavivam a "sombra do porrete".

O pretexto é o mesmo de sempre, combate ao narcotráfico, mas os próprios protagonistas revelam o que querem com as bases, e, obviamente, com a Quarta Frota:

*Chávez é motivo para ter base na Colômbia, afirma Pentágono.

FLÁVIA MARREIRO da Folha de S.Paulo

Ao assinar o acordo militar com a Colômbia e garantir o uso da base área de Palanquero, no centro do país, o governo dos EUA considera ter aproveitado uma "oportunidade única" de obter "acesso e presença regional a custo mínimo" numa área sob ameaças constantes, entre elas as vindas de "governos antiamericanos" como o do venezuelano Hugo Chávez.

O argumento acima consta do documento do Pentágono submetido ao Congresso americano para justificar o Orçamento militar do país no ano fiscal de 2010. O texto, sancionado recentemente pelo presidente Barack Obama, inclui verba de US$ 46 milhões a ser aplicada em Palanquero.O documento solapa a retórica de Washington e Bogotá, que repetem o mantra de que o pacto militar assinado na sexta-feira --que permitirá aos EUA usar outras seis instalações além de Palanquero-- visa atacar só problemas domésticos colombianos, e dá combustível às reclamações de Chávez, que vê no trato uma ameaça a seu país. Tudo isso num momento em que a tensão entre Bogotá e Caracas volta a crescer por conta de incidentes na divisa cada vez mais violenta.

O teor do acordo militar não foi divulgado --a Colômbia promete fazê-lo nesta semana. Só Chávez e Evo Morales (Bolívia) reclamaram de sua consumação. O governo Lula, que cobra "garantias" de Washington e Bogotá, não se pronunciou.

Em entrevista ao jornal colombiano "El Tiempo", o embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, disse que seu governo já deu garantias aos países da região de que o acordo não permite operações conjuntas fora da Colômbia. "Posso dizer que o acordo diz [isso] claramente no artigo 4º, parágrafo 3º.

"No entanto, na avaliação do Conselho de Estado, o órgão jurídico consultivo máximo colombiano, o texto é frouxo e deixa decisões importantes para acertos posteriores, além de ser "desequilibrado" a favor de Washington e potencialmente violador da soberania do país.

Resposta a crises

O documento do Pentágono submetido ao Congresso diz que Palanquero é "inquestionavelmente" o melhor lugar "para conduzir um completo espectro de operações pela América do Sul" --a importância da base já havia aparecido em documento da Força Aérea, que a inclui no esquema global de rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal.

Afirma que o investimento na base vai "melhorar a capacidade dos EUA de responder rapidamente a crises, assegurando acesso e presença regional com custo mínimo". Contribuirá também para "expandir capacidade de guerra aérea", inteligência e monitoramento.

*Texto extraído do blog do Aposentado Invocado

Parece que nada vai mudar, para a América Latina, mesmo com a eleição de Obama. Continuaremos sujeitos a política externa deles (descrita acima), a menos que tenhamos "mais Venezuelas".

Um comentário:

Itárcio disse...

Acreditar em qualquer cláusula ou acordo com o aval estadunidense, inglês, israelense ou de qualquer outro país que se arvore dono do mundo é suicídio ou falta de força, infelizmente, para peitar esses abutres. Os EUA querem criar um estado desestabilizar aqui na américa do sul, a colômbia, como o fizeram no oriente médio com sua cria, o estado de israel.